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Desportiva: missão é revelar talentos
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24.05.2015 - 14:18 - Pará

Se em clubes tradicionais e mais antigos a mentalidade de disputar títulos por vezes fica à frente do trabalho e qualificação de atletas na base, nos clubes que nasceram no ambiente do futebol moderno não há espaço para esse tipo de pensamento. A Sociedade Desportiva Paraense possui o melhor centro de treinamento e profissionais de comissão técnica da região amazônica, mas nem cogita disputar competições profissionais. Primeiro clube-empresa do Pará, almeja a mina de ouro que está na outra ponta do processo - a formação de atletas para negociações.

A estrutura do clube, sediado em Marituba, impressiona pelo suporte oferecido. “Não medimos esforços em oferecer as melhores condições para formar jogadores, tanto que o clube recebeu este ano o Certificado de Clube Formador de Atletas da CBF e Fifa”, comenta, orgulhoso, Pedro Crispino, presidente do clube.

O certificado aparece como um selo de qualificação do clube, uma confirmação dada pela CBF de que os padrões mais elevados de qualidade foram atingidos. Esse certificado é difícil de ser atingido – em todo Brasil, a Desportiva é apenas o 46º time a recebê-lo – e tem um peso grande no mercado internacional, como uma garantia do negócio. E a Desportiva tem interesse grande nesse mercado.

“Nesses primeiros anos nós trabalhamos os atletas, ganhamos experiência no mercado e fizemos muitos contatos. Hoje temos uma série de contatos muito bons na Europa e nossa perspectiva é, a partir de julho, quando reabre a janela de transferências internacionais, fechar a venda de alguns atletas com clubes europeus”, comentou Crispino, sem revelar os nomes. “Nosso clube tem muitas pérolas, alguns podem aparecer agora, outros mais pra frente, mas eles vão brilhar”, filosofa.

Apesar dos grandes contratos ainda não terem aparecido, os atletas do clube começam a pegar rodagem. Inclusive internacional. Ronaldo Oliveira, 20, atualmente joga no futebol de Honduras, mas já rodou por outras ligas do Caribe e tem testes agendados para o segundo semestre no Montpellier e Nice, equipes da 1ª divisão da França.

Waltinho: “Na Desportiva os meninos chegam com a visão de fazer carreira profissional”

Quando, no fim de 2014, a Desportiva conquistou o vice-campeonato da categoria sub-17, os diretores compreenderam que chegaram onde mais almejavam. O clube já havia conquistado o título de várias outras modalidades, mas aquele segundo lugar garantia ao time uma vaga na Copa São Paulo de Futebol Junior 2016, maior vitrine do futebol de base do Brasil.

Com toda estrutura necessária e mais de um ano pela frente, o clube assumiu uma meta ousada – passar da primeira fase. Para isso, o time resolveu investir. Mas não em contratação de jogadores, como é de praxe no futebol, mas na sua comissão técnica. Walter Lima, técnico do Remo Sub-20 que chegou às semifinais da Copa do Brasil da categoria, assumiu a coordenação.

Apesar de não contar mais com os gritos de apoio das arquibancadas, como nos tempos de Remo, Waltinho afirma que no trabalho de base pouca coisa mudou. “Num clube com torcida você vê muitos jogadores que procuram o clube por torcerem pelo time, pelo sonho de jogar lá. Na Desportiva os meninos chegam com a visão de fazer carreira profissional”, avalia Walter.

Ele não acredita que haja uma idade específica para determinar se um atleta está pronto para o futebol profissional. “O futebol de base vai até os 20 anos, mas alguns atletas se firmam bem antes disso, como foi com Neymar. Por aqui mesmo temos vários exemplos de jogadores do interior que não passaram por nenhuma base, chegaram e se tornaram ídolos de Remo e Paysandu. Maturidade não é algo que se determina apenas com idade ou tempo de base”, comenta Lima.

Embora não acredite que seja o caso de se criarem novas divisões, como sub-23 ou 25, Walter acredita que a transição da base para o profissional deveria ter um suporte maior. “Defendo a criação de uma categoria de aspirantes, ou time B, com atletas que estouraram a idade da base e outros mais experientes em adaptação ao clube. Não podemos desperdiçar uma geração inteira, como aconteceu com aquele time do Remo. Hoje em dia o clube mantém o jogador até o sub-20, não aproveita e dispensa o jogador – muitas vezes sem dar chance”, aponta.

Fonte: Diário do Pará
 


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