Entrevistas
Babá: o humaitaense que fez história no Norte

Com apenas 1,65m, ele infernizava o setor defensivo de qualquer adversário. Qualquer marcação era tida como um mero obstáculo. Com dribles curtos e muita velocidade era assim que o ex-atacante Sebastião Carvalho Gomes, mais conhecido como Babá, superava seus marcadores e fez com que o atleta figurasse entre os principais nomes do futebol nortista ao longo da primeira década do século XXI.

Nascido em 30 de novembro de 1976, Babá cresceu jogando futebol na aconchegante cidade de Humaitá (à 675 km de Manaus), no interior do Amazonas: sua terra natal. “Como toda criança sempre pensava em ser jogador de futebol e tive uma oportunidade de ser convidado por um amigo para ingressar na seleção de Humaitá para disputar a Copa dos Rios em Manaus. Ao fazer dois jogos e fazer cinco gols, na segunda partida sofri uma fratura, mas acabei sendo escolhido jogador revelação da competição”, destacou.

Apesar da contusão, o jogador chegou a ser convidado pelo Nacional. “Recebi um convite do Nacional na época pelo então presidente Mario Cortez, mas, como estava no exército, não aceitei”.

Após quatro anos no exército, Babá decidiu deixar sua carreira em busca do seu sonho: ser jogador de futebol. “Quis correr atrás de uma oportunidade, mesmo porque aquela (do Nacional) já havia passado. Foi então que pedi minha baixa e procurei meu primo, o jornalista Leivinha Oliveira, em Porto Velho. Perguntei se ele conhecia alguém que trabalhava com futebol então assim me apresentou ao Evaldo (Silva) presidente do Genus e o Mauricio Horário na época técnico e fui convidado a fazer um teste. Então passei e fiquei um ano no Genus”, revelou.

Em sua primeira passagem pelo Genus, Babá fez história e ajudou a levar o Aurigrená de Porto Velho a sua primeira final do Campeonato Rondoniense em 2000. “Fiz um bom campeonato estadual, onde fomos vice perdendo para o Guajará e sendo terceiro na Copa Norte. Eu, Zé Ribite e Juliano César na época”, disse. Babá revela um dos motivos que fez com que o Genus não levantasse a taça. “Faltou estrutura financeira. Na realidade não queríamos nem pagamento, mas sim um incentivo por parte dos dirigentes, mesmo porque queríamos ser campeão na época”, acrescentou.

Após a Copa Norte 2000, São Raimundo e Nacional travaram uma disputa pelo atacante, mas, na época, o jogador optou atuar pelo Naça. “A proposta era melhor e escolhi ficar por lá. Em 2001 fomos vice-campeão perdendo o título para o Rio Negro e ao final da competição todos foram demitidos. E em seguida fui emprestado para o Atlético de Três Corações-MG para o Campeonato Brasileiro da Série C”, frisou.

Após a passagem pelo futebol mineiro, Babá passou por diversos clubes como Princesa, Fast Clube, Rio Negro, Vasco-AC, Rio Negro-RR e por último encerrou sua carreira no Plácido de Castro em 2011.

Seleção Brasileira Sub-17

Em 1999, o ex-atacante esteve presente no empate entre Seleção Rondoniense e Seleção Brasileira Sub-17 em 1 a 1, no estádio Aluízio Ferreira, em Porto Velho. “Eu, Zé Ribite, Juliano César, Nenego, nossa. Era um timão. Um jogo da minha vida, foi um sonho, onde poucos tiveram essa oportunidade”, acrescentou.

Melhor momento

Para Babá, dois clubes estão no coração do ex-jogador: Rio Branco-AC e São Raimundo-AM. “No São Raimundo fui campeão invicto em 2006. No mesmo ano em que jogamos contra o São Paulo-SP na Copa do Brasil e participei da Segundona do Campeonato Brasileiro. E também no Rio Branco-AC onde fui duas vezes campeão acreano (2004 e 2005)”, credita.

“Acho que por tudo que passei nesses dois times e em outros fui muito feliz e agradecido a Deus por ter realizado meu sonho, pois joguei contra e a favor com grandes jogadores. Sou feliz mesmo”, contou.

Jogo da vida

O dia 19 de fevereiro de 2003 é marcante para o ex-atacante. Naquele dia, o São Raimundo bateu o São Paulo-SP por 2 a 0, no estádio Vivaldo Lima, em Manaus, pelo jogo de ida da primeira fase da Copa do Brasil daquele ano.

Naquele dia, o técnico Aderbal Lana colou em campo a seguinte formação: Iúna; Ademiar, Isaac, Doriva e Peta; Guará, Rincão, Sidney (Zé Ribite) e Zedivan; Reginaldo (Ricardo Oliveira) e Delmo (Babá).

“Ficou na minha mente até hoje. Vendo 50 mil pessoas ao meu redor isso foi uma realidade do que é o futebol. Sou uma pessoa realizada”, frisou.

Momento delicado

Babá acredita que o momento mais triste da carreira ocorreu em 1999. “Foi quando não fiquei no teste que fiz no Botafogo de Ribeirão Preto-SP. Achei que havia acabado todo meu sonho”, relembrou.

O treinador

Ao longo da carreira, Babá trabalhou com vários treinadores e destaque para Polozzi (no Garça-SP), Aderbal Lana (no São Raimundo-AM) e Everton Goiano (Rio Branco-AC). “Na realidade foi o Aderbal Lana. Acho que tem muita experiência, ganhou vários títulos é tri do Norte e apesar de seu gênio é um profissional de qualidade não só dentro de campo”, destacou.

Decepções

Babá ressaltou que as decepções que teve no futebol ocorreram em virtude da falta de compromisso de alguns clubes ao longo de sua carreira. “Tive muitas decepções em minha vida se tratando de futebol profissional, principalmente no Norte por falta de pagamentos. É difícil falar nisso, mas Genus-RO, Rio Negro-AM, Fast –AM e Atlético de Três Corações. Estou até hoje me recuperando dos traumas financeiros”, lamentou.

Aposentadoria

Em 2011, Babá disputou seu último estadual atuando pelo Plácido de Castro e, em seguida, recebeu convite do prefeito de Humaitá-AM, José Cidernei Lobo, o Dedei Lobo, para atuar fora do futebol. “Quando cheguei na minha cidade, fui convidado pelo prefeito para trabalhar com ele e percebi que a idade já estava avançando. Parei para pensar e vi que muita gente me devia no futebol e talvez entraria em mais uma. Aí optei pela aposentadoria e não perdi a oportunidade”, acrescentou.

O ex-atleta segue até os dias atuais trabalhando na prefeitura de Humaitá.

Ficha Técnica
Nome Completo:
Sebastião Carvalho Gomes;
Apelido:
Babá;
Data de Nascimento:
30 de novembro de 1976;
Cidade Natal:
Humaitá (AM);
Clubes:
Atlético de Três Corações-MG, Fast-AM, Garça-SP, Genus-RO, Independência-AC, Nacional-AM, Plácido de Castro-AC, Princesa do Solimões-AM, Rio Branco-AC, Rio Negro-AM, Rio Negro-RR, São Raimundo-AM e Vasco-AC.
Títulos: Bicampeão Acreano (2004 e 2005) e Campeão Amazonense (2006).

 
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