Entrevistas
Paulo Roberto: história de superação por amor ao futebol

Vítima de uma poliomielite nos primeiros anos de vida, que lhe causou uma irreversível atrofia no braço esquerdo, o lateral-direito Paulo Roberto de Oliveira Lima precisou de muito foco no esporte, força de vontade e dedicação nos treinamentos para realizar o seu sonho de se tornar um jogador de futebol. Sua história é um verdadeiro exemplo de superação.

Nascido em Sena Madureira, no dia 11 de junho de 1958, Paulo Roberto se mudou para Rio Branco ainda na infância, indo morar no bairro do Bosque, nas imediações do campo do Vasco da Gama. Essa proximidade foi determinante para o garoto, desde sempre louco por futebol, dar os seus primeiros chutes numa bola, integrando vários times da categoria infantil.

“O campo do Vasco da Gama era uma extensão da minha casa, pelo fato de morarmos ao lado. Isso facilitou o meu início como peladeiro. Existia um campeonato disputado no local, onde participavam garotos de vários bairros de Rio Branco. Foi aí, orientado pelo professor Rivaldo Melo, que tudo começou, por volta do ano de 1971”, disse Paulo Roberto.

Em 1976, Paulo Roberto começou a vida como jogador de um time federado, após ser aprovado em testes para ingressar no time de juvenis do Rio Branco, ao lado de outras promessas do futebol acreano, como Itamar, Omar e Teinha. “Eu tenho consciência que, dada a minha deficiência física, só fui aprovado por conta do meu bom potencial”, explicou o ex-lateral.

Três títulos no ano de estreia

Paulo Roberto estreou no time principal do Rio Branco em 1979. O Estrelão havia perdido o título do ano anterior para o rival Juventus e queria montar uma grande equipe para retomar a trilha do sucesso. Para a posição de lateral-direito, entretanto, o técnico Antônio Leó garantiu que não precisava trazer ninguém. O juvenil Paulo Roberto era o homem certo.

Antônio Leó tinha razão. O time do Rio Branco, cuja base era formada por Illimani; Paulo Roberto, Chicão, Cleiber e Tião; Mário Sales, Mário Vieira e Adalberto; Eli, Nino e Irineu, voltou a ganhar o título estadual. E ainda foi mais longe, levando para casa os troféus de campeão do Torneio do Povo e do Copão da Amazônia. Melhor estreia, impossível!

Marcador implacável, mas técnico com a bola nos pés, Paulo Roberto logo chamou a atenção de outros clubes. E assim, depois de dois anos no Estrelão, ele foi para o Juventus. No Clube da Águia jogou duas temporadas: 1981 e 1982. Depois foi uma dança de camisas: Rio Branco (1983, 1986 e 1987), Independência (1984 e 1985) e Juventus (1988).

“Construí minha carreira basicamente no Rio Branco. Joguei em outros clubes pelas boas propostas salariais feitas pelos rivais do Estrelão. Pendurei as chuteiras, ainda jovem, porque além de estar desmotivado, fui informado que no futebol profissional, cujo início se deu em 1989, a legislação não permitia atletas com deficiência”, garantiu Paulo Roberto.

Experiências como técnico e comentarista

Depois de pendurar as chuteiras, Paulo Roberto foi convidado para assumir as categorias de base do Rio Branco na posição de treinador. Essa foi uma experiência que o levou ao comando do time principal, culminando com a conquista do título estadual de 1994. O trabalho como funcionário público federal, entretanto, não permitiu que ele pudesse ir mais longe.

“Ganhei todos os títulos no Rio Branco, dos infantis aos profissionais. Depois treinei o Andirá, o Independência, Juventus e Vasco. Não pude continuar devido ao meu trabalho como funcionário público e pela falta de estrutura dos clubes”, explicou Paulo, acrescentando ter um projeto pronto para voltar a ser técnico quando se aposentar, em 2016.

Nos dias que correm, não podendo ficar totalmente fora do mundo do futebol, Paulo Roberto atua como comentarista da Rádio Difusora Acreana. “Comecei nessa função em 2014, convidado pelo radialista Paulo Henrique Nascimento. Aceitei o convite porque entendi que o meu conhecimento de campo poderia contribuir para o exercício desse novo desafio”, disse ele.

Para finalizar, não resisti a fazer uma provocação e perguntei-lhe se ele poderia escalar a seleção de jogadores do seu tempo. Ele nem pestanejou, relacionando Klowsbey; Mauro, Neórico, Chicão e Duda; Emílson, Tadeu, Dadão e Mariceudo: Roberto Ferraz e Nino. “Com esses jogadores seria possível fazer muitíssimas variações táticas”, concluiu.

Títulos como jogador

Estaduais
1979 – Rio Branco
1981 – Juventus
1982 – Juventus
1983 – Rio Branco
1985 – Independência
1986 – Rio Branco

Interestaduais
1979 – Rio Branco – Copão da Amazônia
1981 – Juventus – Copão da Amazônia


Texto/Foto: Francisco Dandão 

 
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