Entrevistas
‘O Princesa já pagou um preço muito caro por uma longa fila’, diz Zé Marco

Há dez anos afastado do futebol do Amazonas, o antigo volante do Rio Negro, Nacional, Fast e Grêmio Coariense, Zé Marco, 34, voltou para o Estado que o projetou para outros mercados agora como técnico do Princesa do Solimões, atual vice-campeão estadual. Adversário do próprio Tubarão na Série D do Brasileiro do ano passado, quando comandou o Atlético Acreano, Marco acredita que o conhecimento sobre clubes da Região Norte foi um pré-requisito para ser contratado pelo time de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), um ‘know how’ importante para a Copa Verde, primeira competição do semestre carregado do Princesa, que tem ainda pela frente Amazonense e Copa do Brasil. Natural de Rolim de Moura (RO), o treinador falou ao PortalD24AM sobre as expectativas no novo clube, como parte da série de entrevista com treinadores do Estadual de 2015.

Depois de uma década longe do mercado do Amazonas, por que decidiu voltar? Percebeu alguma melhoria em comparação a outros Estados que trabalhou?
Saí (de Manaus) no final de 2005, quase no início de 2006, e fui para o Acre como atleta jogando como volante e meia. Também defendi clubes da Paraíba (Campinense), Paraná (Iraty) e São Paulo (Capivariano e Penapolense, este último foi campeão da Série A3 do Paulistão, em 2011), além do Rio Branco (sete títulos no Acriano) e Atlético-AC.

Naquela época, o futebol amazonense oscilava muito, tanto que, antigamente, perdíamos para os times do Acre e Rondônia. Mas agora está acontecendo o inverso, estamos voltando a melhorar nossos desempenhos. Nos últimos anos, o investimento é bem maior no futebol (do Amazonas). Clubes como Fast e Nacional têm um orçamento bem maior que muitos times do Acre, isso nem se compara quando nos referimos às competições nacionais.

Como técnico, sua carreira ainda está começando. Em 2014, estreou na nova função pelo Atlético-AC, como avalia seu primeiro ano?
Em 2013, me aposentei como jogador pelo Atlético Acreano e me tornei técnico no próprio Atlético, quando liderei o time no Estadual, no qual fomos vices-campeões, perdendo nos pênaltis para o Rio Branco. Em número de jogos foi um bom ano, mas na Série D fomos eliminados logo na primeira fase.

Seu conhecimento do futebol é da Região Norte, principalmente do Acre. Isso foi importante para o Princesa decidir contratá-lo? É vantajoso para competições regionais, como a Copa Verde?
Não acredito que seja uma vantagem, faz dez anos que saí daqui e o futebol é muito dinâmico. Conhecer bem o futebol da Região Norte foi um dos fatores para ter vindo para cá (no Princesa), claro, mas o planejamento que fizemos é para ir bem na Copa Verde e chegar até a segunda fase da Copa do Brasil. Só que nosso objetivo maior é o título do Estadual para ter calendário e disputar novamente a Série D do Brasileiro.

Então, as competições nacionais não serão prioridade?
É passo a passo, o primeiro passo é passar do Figueirense-SC (pela primeira fase da Copa do Brasil) para depois pensar no segundo adversário. Mesma história para a Copa Verde (quando o Princesa enfrentará o São Raimundo-RR, em jogo de ida, no dia 8 de fevereiro), o que não significa que iremos ignorar estas competições por causa da meta da taça de campeão do Estadual. O Princesa se esforçou muito para conseguir as vagas para a Copa do Brasil e Copa Verde, então, iremos com o mesmo empenho para as três competições. Só acho que não podemos fazer projeções até onde poderemos avançar, porque é algo que precisa ser planejado gradativamente.

Mas a equipe titular não pode ficar sobrecarregada em disputar três competições, praticamente simultâneas, cientes que devem brigar a todo custo pelo título do Estadual?
Temos um elenco suficiente, de 27 a 28 jogadores, mas não estamos fechados para contratações. Durante a competição que veremos as carências e se é preciso contratar. Se por ventura acontecerem algumas lesões, pela maratona de competições, teremos peças de reposição para suprir os desfalques. Ninguém vai fazer loucuras de inchar o grupo porque temos que cumprir e honrar nossos compromissos (financeiros).

Nos últimos anos, o Princesa se tornou um dos principais adversários a ser combatido no Amazonense. Como manter o time no topo do Estadual diante da rivalidade crescente dos outros clubes?
Esse é o preço de evoluir e o Princesa já pagou um preço muito caro por uma longa fila (o Tubarão conquistou o primeiro título Estadual da história do clube em 2013). Temos nossos objetivos e vamos respeitar nossos adversários, mas queremos brigar pelo título novamente.

 
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