Entrevistas
Júlio César: O 'Paredão' de Rondônia

Dizem que o futebol está no sangue. E no caso do ex-goleiro Júlio César Baiocco (40) não foi diferente. Filho do ex-goleiro, Luiz Baiocco, Julio Cesar desde cedo buscou herdar a posição do pai e buscar seu ‘lugar ao sol’. “Estava no sangue da família. Meu pai foi goleiro lá no interior do Rio Grande do Sul”, frisou.

Nascido em Aratiba-RS, Júlio César Baioco começou a engatinhar no futebol treinando em uma escolinha de futebol na cidade de Francisco Beltrão, no interior do Paraná. “Desde cedo queria algo a mais que ficar só em escolinha. Fui até a cidade de Curitiba e fui treinar no Paraná. Fiquei pouco tempo. Saí do clube e cheguei a ir para o Atlético Paranaense em 1991.

Em 1992, Júlio César Baiocco retornou a cidade de Francisco Beltrão. “Fiz parte do Real Beltronense, acabando a competição fui fazer teste na equipe do Cascavel, onde fui reprovado na categoria juvenil. Naquele ano acabei contando com a sorte, pois após o treino da base, o profissional treinava, para minha surpresa fui convocado pelo então técnico do profissional Carlos Diniz. Fiz um coletivo e depois desse treino fiquei treinando com a equipe profissional”, frisou.

Em Cascavel, Júlio César atuou no período de 1992 a 1997, atuando somente no ano de 1994 pelo Jandaia-PR. Em 1997 e 1998, o ex-goleiro atuou pelo Concórdia-PR. Em 1998, foi campeão Sul-Mato-Grossense pelo Ubiratan-MG. Em 1999, foi para o Corinthians de Presidente Prudente-SP e, no mesmo ano, defendeu o Taquaritinga-SP. E ainda em 1999 atuou pelo Sorec-PR. Já em 2000, foi a vez de vestir a camisa do Joinville-SC.

Após rodar por vários clubes, surgiu a primeira oportunidade de atuar na região Norte do país. “Um amigo meu de Cascavel que acompanhava os treinos foi morar em Ji-Paraná e conheceu o Maritaca (Valdenir Pinheiro, ex-dirigente do Ji-Paraná). No meio da conversa, o Maritaca falou para ele que estava montando a equipe e ele me indicou. Na ocasião, eu estava no Joinville-SC e acertei com o sr. Maritaca e em março de 2001 me apresentei ao clube”, relembrou.

E no ano em que chegou ao Ji-Paraná, Júlio César foi ‘pé quente’ e levantou o título de campeão Rondoniense em 2001. “Por ter passado por muitas dificuldades na equipe e o melhor foi ter conhecido um grande treinador chamado Alexandre Da Costa. Eu principalmente jogava e me esforçava pela pessoa que ele é e a grande vontade dele vencer os jogos”, ressaltou.

Com a conquista, o Ji-Paraná ganhou o direito de disputar à Copa do Brasil do ano seguinte. Seu adversário foi o Santos-SP. “Foi muito bom, só tinha feras do outro lado, acredito que fizemos dois bons jogos e não ficou feio para Rondônia os resultados (0 a 0 em Rolim de Moura e 4 a 2 em Santos)”, acrescentou.

Ainda em 2002, o Ji-Paraná realizou uma grande campanha na Copa Norte. Na primeira fase, o Galo da BR ficou com a primeira colocação da chave com três vitórias, um empate e apenas uma derrota, à frente do Nacional-AM, União Cacoalense e Vasco-AC. Na segunda fase, o Ji-Paraná ficou com a vice-liderança da chave, com três vitórias, um empate e duas derrota, atrás somente do São Raimundo-AM na chave.

O clube rondoniense não avançou porque somente os primeiros colocados avançaram à final, que naquele ano foi decidida entre São Raimundo-AM x Paysandu-PA. “Na reta final faltou dinheiro. Se não tivesse faltado com certeza teríamos feito a final e não perderíamos. Nosso time era muito forte e unido”, confirmou.

Em 2003, Júlio César atuou novamente pelo Ji-Paraná. E em 2004, o ex-goleiro optou por defender o União Cacoalense, atual campeão estadual. “Fomos campeões invictos e o ano foi maravilhoso. Fizemos dois jogos da Copa do Brasil onde empatamos os dois jogos com o Guarani-SP”, lembra.

Melhor momento

Julio César acredita que teve vários bons momento na carreira. “Quando estive disputando o Campeonato Paranaense, no Mato Grosso do Sul também foi muito bom deixando o melhor goleiro do estado no banco. E em Rondônia foi pelo Ji-Paraná nos anos que joguei por lá”, disse.

Piores Momentos

Para Julio César, dois foram os momentos mais delicados em sua carreira. Em 1996, o ex-goleiro fraturou o braço durante o segundo tempo da partida entre Cascavel-PR e Ypiranga-RS, pela Série C do Brasileiro. Já a segunda ocorreu em 2005 no confronto entre União Cacoalense x Paysandu, pelo jogo de ida da Copa do Brasil, quando o jogador rompeu o ligamento posterior do joelho esquerdo.

“Foram lesões muito parecidas. Muito tempo de recuperação e quase sem assistência para poder recuperar direito. A primeira foi quase um ano de recuperação. E na segunda, voltei a jogar no segundo semestre de 2006”, relembra.

O Retorno

No segundo semestre de 2006, Júlio César voltou a atuar, desta vez, com a camisa do Rolim de Moura na Segunda Divisão do Rondoniense. E no ano seguinte, defendeu a Jaruense, chegando até à decisão da competição. “Foi uma boa experiência e perdemos por falta de experiência de algumas pessoas na minha opinião, mas foi muito bom. Fizemos uma boa competição”, disse.

Melhor equipe

Júlio César revelou que existe uma equipe em especial que é considerada a melhor em que ele atuou. “Todas foram boas, mas foi o Cascavel de 1995. Uma super equipe e bons profissionais trabalhando. Grandes jogadores contratados para jogar pela equipe e muitos haviam jogado em equipes grandes do futebol brasileiro”, destacou.

O comandante

Dentre os treinadores, Júlio César não elege um nome em especial, mas destaca o nome de treinadores com quem trabalhou em Rondônia. “Tive vários, muitos não recordo o nome. Aqui em Rondônia destaco dois: Da Costa e o mestre Ionay da Luz, aprendi muito com ele”, ressaltou.

Fim da carreira

Júlio César Baioco ainda atuou em 2008 pelo União Cacoalense e optou por deixar os gramados a partir de 2009. “Deus colocou em minha mente que estava na hora de parar e começar a compartilhar as coisas que aprendi ao longo de minha carreira. Daí decidi começar a trabalhar na formação de novos atletas”, frisou.

Treinador

Em 2012, Júlio César encarou o desafio de atuar como treinador do União Cacoalense no Rondoniense. “Foi difícil. Sem estrutura, sem nada, com poucos jogadores treinando e somente alguns garotos que treinavam para me ajudar. Não aguentei tudo aquilo, fiquei só um jogo e pedi para sair”.

Comentarista

Após a experiência traumática como treinador, Júlio César foi convidado pela Rádio Clube Cidade FM de Cacoal para atuar como comentarista. “Outra experiência boa. No começo foi difícil atuar, mas agora estamos a cada dia aprendendo mais”, frisou.

Atualmente, Júlio César comanda a escolinha de futebol ADC em Cacoal e também trabalho como comentarista do Esporte Cidade na FM 90,3.

Ficha Técnica
Nome completo: Julio César Baiocco
Data de Nascimento: 18/09/1974
Cidade Natal: Aratiba-RS
Clubes: Atlético-PR, Cascavel-PR, Concódia-PR, Corinthians de Presidente Prudente-SP, Jandaia-PR, Jaruense-RO, Ji-Paraná-RO, Joinville-SC, Paraná-PR, Real Beltronense, Rolim de Moura-RO, Sorec-PR, Taquaritinga-SP, Ubiratan-MS e União Cacoalense-RO.
Conquistas: Bicampeão Rondoniense 2001 e 2004, Campeão Sul-Mato-grossense 1998, campeão da Divisão de Acesso do Paranaense 1994 e uma convocação para a Seleção Brasileira Sub-23 em 1993.

 
Galeria de Fotos
Fotos: Arquivo Pessoal 


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