Entrevistas
Venícius: o eterno herói acreano

Venícius Martins Rodrigues deu os primeiros chutes numa bola de futebol oficial no campo do São Francisco, de propriedade do desportista Vicente Barata, na periferia de Rio Branco. Corria o ano de 1979. Ele tinha então 15 anos e todos os que o viam em ação vislumbravam que o subúrbio muito em breve ficaria pequeno para a sua técnica e a sua velocidade.

Aos 17 anos, resolveu arriscar a sorte nos juvenis do Juventus, time do seu coração. “Quando eu via entrar em campo Dadão, Emílson, Carlinhos, Mariceudo, Paulão, Paulinho, eu ficava fascinado”, afirmou Venícius. Ele ficou dois dias na arquibancada só observando o treino. No terceiro dia faltou alguém e ele foi chamado para treinar. Bastou isso.

O treinador dos juvenis do Juventus chamava-se José Aparecido, de apelido Nino. Quando Venícius mostrou o que sabia, Nino integrou-o imediatamente ao elenco. “Esse treino aconteceu numa quarta-feira. No domingo seguinte eu já estreei. Joguei vinte minutos na ponta-direita e fiz um gol. Ganhamos do Vasco por 3 a 1”, explicou Venícius Martins.

O craque jogou nos juvenis do Juventus até 1983. No ano seguinte foi levado para o time principal pelo técnico Walter Félix de Souza, o professor Té, disputando uma vaga entre os onze titulares com Vidal e Manoelzinho. “A parada era dura, o Manoelzinho era um ótimo jogador. Só ganhei a posição quando ele foi embora, em 1985”, disse Venícius.

Mudança de ares

Em 1986 trocou o Clube da Águia pelo Rio Branco, a convite dos dirigentes Illimani Suares e Getúlio Pinheiro. Segundo Venícius, “a mudança aconteceu graças a dois fatores: o Juventus estava montando uma nova equipe e a proposta do Rio Branco foi excelente. Só de luvas eu ganhei uma motocicleta XLX novinha. Não havia como recusar”.

No Estrelão, já com status de jogador consagrado, Venícius jogou dois campeonatos. Mas veio 1988 e nova mudança de ares. O Independência, convidado pelo Emílson Brasil, passou a ser a sua nova casa. Novamente Venícius levou uma ótima compensação financeira, tanto no salário quanto nas luvas. Estas, pagas na forma de um trailer de lanches.

Em 1989, sobreveio o primeiro contrato como profissional. Novamente no Rio Branco, resgatado pelo presidente Sebastião Alencar. Ficou até o fim do primeiro semestre de 1991. Daí a aventura ganhou contornos nacionais e Venícius foi parar na Vila Belmiro, casa do rei Pelé, para integrar nada menos do que a equipe do Santos Futebol Clube.

“Para o Santos, fomos eu e o Canjerê, indicados pelo treinador Toninho Silva. Eu acho que tinha tudo para me dar bem por lá. Mas dei um certo azar. Alguns dias antes de ir me contundi seriamente. Quando cheguei lá, passei 45 dias em tratamento. Acabei disputando só dois amistosos, contra a Ferroviária de Araraquara, e Paulista de Jundiaí”, disse Venícius.

A continuação da saga

Depois da experiência frustrada no Santos, Venícius ainda vestiu a camisa de duas outras equipes do futebol nacional. A do Paysandu, de Belém, e a do Gama, do Distrito Federal. A primeira, durante todo o ano de 1992, quando, o atleta inclusive ajudou o bicolor na conquista do título estadual. A segunda experiência, nos três primeiros meses de 1993.

No time paraense, Venícius só saiu por conta de atrasos salariais. “Depois de vários meses sem receber, chegamos a um acordo e rescindimos o contrato”, explicou o ex-jogador. No clube candango, o que pesou foi o fato de Venícius ter sido aprovado no vestibular para o curso de Educação Física da Universidade Federal do Acre (Ufac).

De volta definitivamente ao Acre, porém, Venícius não abandonou logo a carreira de futebolista, jogando ainda no Vasco da Gama (1993), Juventus (1994 e 1995) e Rio Branco (1996, 1997 e 1998). A aposentadoria dos gramados veio apenas em 1999, quando, já graduado, foi convidado para assumir a preparação física dos profissionais do Rio Branco.

Sobre as maiores alegrias da carreira, o ex-craque não hesita em responder. “Ganhar a Copa Norte jogando pelo Rio Branco, em 1997, foi o máximo. Mas eu também tenho muito orgulho de ter jogado nos principais palcos do futebol desse país, como, entre outros, o Morumbi, o Castelão, o Mineirão, o Vivaldão, a Fonte Nova, o Mineirão...”, finalizou Venícius.

 
Galeria de Fotos
Fotos: Acervo/Venícius 


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