Entrevistas
Soares: um paulista quase nortista

Nascido em Sorocaba, no interior de São Paulo, Maiquel Juliano Soares, ou simplesmente Soares, diferentemente de outras crianças nunca havia levado a sério o sonho de ser um jogador de futebol. “Não era meu objetivo. Comecei a pensar nisso quando tinha 14 anos fui para Campinas morar com minha mãe. Lá recebi o convite, fui para o Guarani e fiquei pouquíssimo tempo lá. Depois fui para o AD Guará, clube amador de Campinas, que na época estava fazendo parceria com o Guarani. Virou Guarani B e daí em diante comecei a pegar gosto pela coisa”, destacou.

Aos poucos o pequeno Soares foi sendo seduzido ainda mais pelo futebol. “Tive convite depois de um amistoso para ir para o Atlético Sorocaba, clube da cidade onde nasci e moro. Na época era um clube melhor do que o AD Guará e porque vi que as coisas começaram a fluir naturalmente isso em 1999 ou 2000 não me recordo 100%”, afirmou.

Região Amazônica

Apesar de ser paulista, Soares consolidou sua carreira na Região Amazônica, atuando por clubes dos estados do Amazonaz, Rondônia e Mato Grosso. “Fiquei muitos anos por aí. Fui em 2004 para o Luverdense, voltei a São Paulo no São Bento e em 2007 fui para a Jaruense e logo em seguida retornei para o Luverdense em 2007, ficando no Mato Grosso até 2009, passando por Vila Aurora e Araguaia. Em 2011 fui para o Amazonas e Rondônia de novo e encerrei no Amazonas, jogando pelo Tarumã, em 2013, então praticamente aí no Norte. Sou muito grato à região Norte por onde passei”, lembrou.

O jogo

Em 2007, Soares jogou a grande partida de sua carreira. A Jaruense empatava com a Ulbra em 2 a 2, no estádio Biancão, até os 48 minutos, quando o meia Rafael Bitencourt fez o gol do time da casa levando o jogo para a prorrogação. E lá a Ulbra fez mais dois gols, fazendo com o que o clube de Jaru deixasse de conquistar a inédita taça.

“Foi incrível. Chegamos na final contra a Ulbra. Time fortíssimo e atual campeão na época. Ganhamos o primeiro jogo em casa de 1 a 0, e no segundo jogo jogávamos pelo empate e estamos ganhando de 2 a 1 até os 44 do segundo tempo me lembro da torcida estar indo embora, mas nos acréscimos levamos dois gols e ai foi para a prorrogação e lá perdemos o título. Foi triste pois o taça estava em nossas mãos e não tivemos experiência pra segurá-los pois nosso time na época era jovem, mas sem dúvida acho que foi a final mais emocionante que o estado de Rondônia já teve. Sensacional fazer parte dessa história”, recordou.

Altos e Baixos

Para Soares, grandes momentos em sua carreira foram vividos na Jaruense-RO e no Luverdense-MT. “Não sei dizer ao certo. Sei que foi minha melhor fase”, afirmou. Quanto a pior fase, o ex-volante destaca sua passagem pelo Real Noroeste-ES em 2012. “Tive lesões e me atrapalharam. Algumas pessoas do clube não fizeram o correto comigo”, lamentou.

O treinador

Ao longo de mais de quase 13 anos de carreira, Soares acredita que Jorge Parraga foi o melhor treinador com quem trabalhou. “Tive alguns bons treinadores, mas ele conhecia muito de futebol e me ajudou muito no início da minha carreira, pois era o técnico do AD Guará que me deu chance de iniciar e depois no Campinas FC ele também era o treinador”, confirmou.

Time do Coração

Soares também destacou a campanha realizada pelo Luverdense, seu ex-clube, na Série B do Campeonato Brasileiro. “Vejo com bastante alegria, pois estive lá no início de tudo em 2004. No ano de fundação já conquistamos um título. Eu não jogava, mas estava no elenco. E em 2007 fomos campeões de novo, aí eu já jogando. Acho que é o clube que tenho mais carinho de todos que passei por tudo que vivi lá. Fiz o gol mais bonito da Taça São Paulo de 2005, entre outras coisas, mas eu sabia que o Luverdense um dia viria a ser um time de expressão. O presidente Helmute Lawisch é um cara sensacional, dá a vida pelo Luverdense e faz as coisas certas, por isso está onde está”, disse.

Soares ainda mantém contato com alguns membros e ex-atletas do Luverdense. “Tenho amizades com jogadores que atuaram junto comigo como é o caso do Júnior Rocha, o treinador. Somos amigos e nos falamos de vez em quando pelo Facebook (risos)”, acrescentou.

As lesões

O ex-volante ressaltou ainda que algumas lesões atrapalharam seu desempenho ao longo da carreira. “Graças a Deus não precisei passar por cirurgia, mas tive algumas lesões que me atrapalharam como uma no ligamento do tornozelo direito, uma lesão muscular no músculo posterior da coxa que demorou curar por querer retornar antes do tempo e uma lesão no joelho com um estiramento grau 2 no LCM que demorou 70 dias para voltar e me tirou do Campeonato Mineiro na época quando estava no Tricordiano”, frisou.

O fim

Com 30 anos, Soares ainda poderia estar atuando por clubes pelo país, mas optou pelo fim da carreira. “Não parei por falta de qualidade ou física de jogar. Decidi parar por motivos familiares, minha esposa e filha não podiam me acompanhar e todos esses anos ficamos longe e estava meio saturado. Eu jogaria mais quatro ou cinco anos tranquilo, mas talvez perderia minha família e como graças a Deus consegui um trabalho com um ganho razoável. Aqui conversamos eu e minha esposa e decidi parar. Sinto saudades de atuar, tenho recebido convites, mas decidi parar mesmo", afirmou.

Futuro

Soares afirmou que está focado nos estudos. “A princípio não pretendo seguir no futebol. Devo estudar, trabalhar onde estou, mas nada impedi que no futuro eu volte a trabalhar no futuro. Graças a Deus esses 16 anos me deram algum conhecimento. Vamos estudar e depois vemos o que Deus nos prepara e é o que eu mais gosto na vida”, finalizou.

Mensagem

Ao final da entrevista, Soares mandou uma mensagem para quem sempre o ajudou ao longo de sua carreira: “Quero agradecer em primeiro lugar a Deus por ter me concedido todos esses anos fazendo o que eu gosto, conhecendo lugares e pessoas, aprendendo um pouco de cada cultura do país. A minha família (esposa e filha) que sempre esteve comigo a todos que um dia fizeram parte da minha carreira direta ou indiretamente; e aos amigos que fiz nesses quase 16 anos. É a vida que segue saudades sempre terei até porque sei que não podia estar atuando por ter parado aos 30 anos. Agradeço também Futebol do Norte por essa matéria lembrando fatos da minha carreira. Obrigado a todos”.

Ficha Técnica
Nome Completo:
Maiquel Juliano Soares;
Data de Nascimento: 3 de janeiro de 1984;
Altura: 1,80m
Peso: 83 kg;
Clubes: AD Guará (SP); Campinas (SP), São Bento (SP), Atlético Sorocaba (SP), Luverdense (MT), Jaruense (RO), Rolim de Moura (RO), Princesa do Solimões (AM), Tricordiano (MG), Guaçuano (SP), Real Noroeste (ES), Tarumã (AM), Vila Aurora (MT) e Araguaia (MT).
Títulos: Campeão da Copa Mato Grosso 2004 e 2007; Campeão do Mato-grossense Sub-20 2004; Vice-campeão Rondoniense 2007 e Vice-campeão Mato-Grossense 2009.

 
Galeria de Fotos
Fotos: Arquivo Pessoal/Soares 


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