Entrevistas
Carlinhos Bala fala de sua experiência no Fast

Principal jogador do Fast, finalista do primeiro turno do Campeonato Amazonense, e acostumado a ganhar títulos e ser destaque pelos clubes que defende, como pelos grandes de Pernambuco (Santa Cruz, Sport e Náutico), o atacante de Recife-PE, Carlinhos Bala, 34, abre o jogo para o DIÁRIO e revela que a vinda ao futebol amazonense foi “uns passos para trás” na carreira. Bala fala também sobre a função em campo, saindo da ‘banheira’ e ajudando na armação e marcação, mas se esquiva quando o assunto é o ‘mal-estar’ causado pela ‘escapadinha’ no Carnaval.

Com uma carreira consolidada no futebol de Pernambuco, a adaptação ao clima e ao estilo de jogo do Amazonas foi fácil?
Não tive dificuldade. Às vezes o que atrapalha é sair de uma região (com clima) quente para um lugar frio. Eu praticamente saí de um local bem quente, em Recife, (Bala estava no Centro Limoeirense, clube do interior de Pernambuco), para um mais quente ainda sem nenhum problema. Sobre o nível tático do futebol daqui, não senti diferença porque já participei de vários esquemas e times. Como o treinamento começou no início do ano, isso foi bom para entrosar com os colegas.

O esquema tático usado pelo técnico Aderbal Lana no Fast facilita o Rosembrick (meia) na armação das jogadas e você nas finalizações?
Eu e o Rosembrick jogamos muito tempo juntos por outros clubes (Santa Cruz, Sport e Centro Limoeirense), então, conhecemos um ao outro. Só tivemos que nos encaixar no perfil de trabalho do professor Lana. Conseguimos nos ajustar o mais rápido possível e está fazendo bem ao trabalho (Bala é o artilheiro do Rolo Compressor). No futebol é muito relativo, às vezes trocamos de funções. Contra o Nacional (pelas semifinais do primeiro turno do Estadual), ele (Rosembrick) fez gol e eu dei passes. Cada um vai ajudando o outro, o importante é sair um grupo vencedor.

Então, você costuma fazer marcação também?
No futebol, hoje, todo mundo, até o centroavante, tem que dar o combate. Não existe mais aquele jogador que fica só na frente parado.

Além dos grandes clubes pernambucanos, você passou pelo Fortaleza-CE e Cruzeiro-MG. Em relação à infraestrutura, o Fast tem agradado?
Rapaz, vim aqui para jogar. Sabemos que a estrutura não é daquelas pelo qual já passei. O Fast dá uma estrutura boa, não é coisa de time grande, mas o importante é que dá para trabalhar. Mas o fato do clube ter um campo próprio para treinar supera qualquer dificuldade. Há clubes grandes (do País) que nem campo tem e acaba se complicando.

Você ganhou fama pelas atuações e títulos que ajudou a conquistar no Santa Cruz e Sport (vice-campeão da Série B do Brasileiro de 2005 e campeão da Copa do Brasil de 2008, respectivamente). Apesar do passado notório (Bala se autodeclarou uma vez ‘Rei de Pernambuco’), precisou abdicar de um salário maior no Fast?
Foi feito um projeto (do Tricolor pôr fim ao jejum de 42 anos sem títulos no Amazonense) e aceitamos o desafio. Às vezes na nossa carreira damos uns passos para trás para dar um certo para frente. Graças a Deus não me arrependo do que fiz, saí um pouco de Pernambuco, onde disputei vários Estaduais. Nada melhor que jogar pela primeira vez outra competição. No Centro Limoeirense, ganhava o salário maior e ainda bem que por onde passei sempre foi um salário bom para manter a família. O importante é isso, dei a proposta e o clube (Fast) aceitou. Estão todos felizes porque o clube chegou à final do turno.

É dado algum benefício pela diretoria do Rolo Compressor a você? Tem mais liberdade que os outros jogadores?
Não, não. Por onde joguei sempre digo, todo mundo é igual. Desde o mais humilde funcionário do clube ao presidente são iguais. Seja qualquer classe social, não é porque tem mais ou menos dinheiro que vai importar. Afinal, quando morrermos vamos todos para o mesmo canto. Claro, que tem gente que não pensa assim, mas o mais importante é saúde.

No carnaval, você saiu de Manaus para curtir a folia no seu bloco, o Balax, em Recife-PE sem o conhecimento do técnico Lana, que não aprovou sua atitude. Isso estremeceu sua relação com o treinador?
Isso já faz parte do passado. Não é bom estar comentando, passou e não vai voltar mais. Nosso pensamento está focado na decisão do turno.

O Fast não tem calendário para o resto do ano depois do Estadual, qual será o futuro de Carlinhos Bala no futebol?
Eu entrego na mão de Deus, que vai tomar a direção. Fazendo um bom trabalho, aparecem as propostas.

 


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