Entrevistas
Bolinha: sucesso meteórico nos estados do Norte

Pelo nome de batismo, Francisco de Assis Muniz Ribeiro, provavelmente quase ninguém reconheceria esse personagem como um dos maiores armadores da região Norte do final dos anos de 1960 e início da década de 1970. Se, entretanto, em vez desse nome pomposo, alguém falar ou perguntar pelo ex-craque Bolinha, aí a identificação é imediata.

Nascido no dia 26 de fevereiro de 1952, em Lábrea, cidade do interior do Amazonas, a habilidade na perna esquerda, revelada ainda nas peladas de infância, cedo levou Bolinha às categorias de base do Nacional, time da capital, Manaus. Depois de três temporadas entre os infantis e juvenis, Bolinha, aos 17 anos, foi guindado ao time principal nacionalino.

A permanência de Bolinha no time principal do Nacional, porém, durou tão somente o ano de 1969. No ano seguinte, uma proposta irrecusável (cerca de quatro vezes o valor que ganhava no clube amazonense) do Ferroviário, de Porto Velho, fez o pequenino armador migrar para Rondônia, onde permaneceu nas temporadas de 1970 e 1971.

Em 1972, mais uma vez Bolinha resolveu mudar de ares. Desta feita, rumo ao Acre, para jogar no Juventus, por indicação do irmão Chico Muniz. Assim como da primeira transferência estadual, Bolinha mudou-se para o Acre aceitando uma oferta ainda maior do que a de Rondônia. No caso, um salário razoável, mais moradia, mais o pagamento dos estudos.

Carreira Internacional e Libertadores da América

Entre 1972 e 1974, Bolinha presenteou os acreanos com sua arte, defendendo as cores de três clubes: o já citado Juventus, em 1972 e 1973; o Independência, no Torneio do Povo de 1973; e o Atlético Acreano, para onde foi levado pelo casal Fernando e Flora Diógenes, no primeiro semestre de 1974. A maestria e o brilho foram os mesmos em todos eles.

Em meados do segundo semestre de 1974, chegou a vez de Bolinha viver a sua aventura em gramados internacionais. Maravilhados com a sua capacidade de organizar o jogo, a partir da meia cancha, os bolivianos do Jorge Wilsterman o levaram para a altitude de Cochabamba. Missão: fazer bonito no campeonato nacional e na Copa Libertadores da América.

No campeonato nacional, embora o Jorge Wilsterman não tenha ficado com o título, o terceiro lugar foi considerado de ótimo tamanho. Na Copa Libertadores da América, porém, a desclassificação se consumou na primeira batalha. Detalhe: esse revés aconteceu contra o argentino Boca Juniors, em pleno estádio La Bombonera, por um apertado placar de 2 a 1.

O time boliviano acabou tornando-se uma espécie de ocaso na carreira de Bolinha. Em 1975, de volta ao Acre, aos 23 anos, em plena forma física e técnica, não houve acordo entre o que ele desejava ganhar e o que os clubes se propunham a pagar. Um concurso para sargento do Exército o ajudou a decidir. Deixou a bola de lado e foi servir à pátria!

A vida depois da bola

Cinco anos depois de entrar no Exército, Bolinha resolveu que era hora de largar a caserna e voltar à vida civil. Para isso, fez um concurso para a Secretaria da Fazenda, posto onde permaneceu até se aposentar, em 2013. Por conta dessa nova função, ele ainda teve duas experiências como futebolista: no São Cristóvão, de Cruzeiro do Sul, e na seleção de Brasiléia.

“Eu não queria mais saber de jogar num time organizado. Pra mim. aquilo não fazia mais parte da minha vida. Mas em 1987, quando eu fui trabalhar em Cruzeiro do Sul, não resisti ao apelo de alguns amigos e disputei o campeonato da cidade por dois anos. Depois disputei três copas Bolpebra pela seleção de Brasiléia, de 1990 a 1992”, explicou Bolinha.

Em 1998, um exame médico detectou uma lesão no ventrículo esquerdo do coração ex-craque. Proibido de fazer maiores esforços, a bola, então, virou apenas uma grande recordação, tanto em quadros na parede da memória quanto em algumas fotografias dispersas em álbuns amarelecidos. Recordações que nem o tempo, ao que tudo indica, terá o poder de apagar.

É isso que se deduz quando se conversa com o Bolinha, personagem que é capaz de, tantos anos depois, contar com minúcia o seu gol mais bonito. “Foi jogando pelo Juventus, contra uma seleção de Porto Velho. O Dadão driblou meio time deles, foi à linha de fundo e cruzou. Eu vinha na corrida e peguei a bola no ar”, contou para finalizar a nossa conversa.

 
Galeria de Fotos
Carreira - Fotos: Arquivo Pessoal 


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