Entrevistas
Antônio Aquino: 29 anos a serviço do futebol acreano

Comerciante de profissão, desportista por vocação e visionário por convicção, o advogado Antônio Aquino Lopes, 66 anos (ele nasceu em 21 de fevereiro de 1947), conhecido como Toniquim, é o dirigente maior do futebol acreano desde 1984, época em que a Federação de Futebol do Acre (FFAC) ainda se chamava Federação Acreana de Desportos (FAD).

Nesses 29 anos à frente do esporte acreano, mesmo os seus eventuais detratores (não são muitos, mas eles existem) reconhecem, foram inúmeras as suas conquistas: desde a construção de uma sede própria para a Federação, que antes vivia em imóveis cedidos ou alugados, passando pela profissionalização do futebol até a construção de um moderno estádio.

Mesmo avesso a entrevistas (ele costuma dizer que prefere “fazer” a “falar”), Toniquim concordou em me receber na sua sala de trabalho na Federação para uma conversa gravada, numa tarde em que, do lado de fora, sob um sol escaldante, mais um dos muitos times visitantes (o Luverdense, no caso) se exercitava e elogiava o prático e belo estádio acreano.

Seguem-se abaixo os principais trechos da nossa conversa.

Francisco DandãoPresidente, pra começo de conversa, eu gostaria de saber como foi que se deu essa sua relação com o futebol.
Toniquim – Meu primeiro contato com o futebol foi na infância, num campo de pelada no bairro Quinze, lugar que a gente chamava de “Papoquinho”, ali onde depois surgiu o “Sambão”. Depois, em 1963, aos 16 anos, eu fui para o Rio de Janeiro estudar, no Colégio Werneck, em Petrópolis. E aí quando eu voltei, em 1967, ingressei no Vasco da Gama, dirigido pelo professor Almada Brito. Isso para o time juvenil. Na época jogava eu, o Pedro Paulo Castelo Branco, o Sérgio Beirute, o Oberdan e outros. No time de cima jogavam, que eu bem me lembro, os zagueiros Paulo e Alberto, e no meio campo Teotônio e Aderson. Esses eram os de maior destaque. Eu era ponteiro-direito. Mas não cheguei a jogar entre os titulares. Fui ficando adulto e tive que trabalhar com o meu pai, no comércio dele. O velho Acelino Aquino era meio linha dura, a gente trabalhava até aos domingos pela manhã, e aí eu fiquei sem tempo para treinar. Para não perder totalmente o contato com a bola, eu fui jogar num time de subúrbio, o São Raimundo. Depois eu fui jogar, ainda nessa categoria suburbana, no Amapá, time que mandava seus jogos nesse local onde foi construída a terceira ponte. Ali era uma colônia. O pessoal do bairro Quinze todos os domingos à tarde ia pra lá. Nesse momento, enquanto time de colônia, o dirigente do Amapá era o Osmar Vieira da Silva. Depois, quando viemos disputar os campeonatos da cidade, quem trouxe o time fui eu e o Francisco Ribeiro Gomes. Isso fez com que o time crescesse, chegando até, num certo momento, a representar o estado no Copão da Amazônia. Antes disso, o Amapá foi bicampeão suburbano, que era uma espécie de 2ª divisão da FAD, além de pentacampeão do Torneio da Imprensa. Quando veio o profissionalismo, o Amapá, por falta de estrutura, encerrou suas atividades. Mas nesse momento eu já não estava mais por lá. Nesse período também cheguei a ser diretor, sucessivamente, do Atlético, convidado pelo Adauto Frota, e do Rio Branco, convidado pelo Sebastião Alencar. Até chegar à Federação, primeiro como diretor do departamento técnico, na gestão do Pedro Paulo Menezes de Campos Pereira, e depois como presidente, eleito pelos clubes, a partir de 1984.

Francisco Dandão Cinco anos depois de chegar à presidência da Federação, você passou o futebol acreano para o regime profissional. Como e porque isso veio a acontecer?
Toniquim – Na época havia uma pressão muito grande para que o nosso futebol não passasse a profissional. Nós tivemos que fazer um trabalho muito eficaz para isso acontecer. Quando eu digo nós estou falando de gente do porte do Alencar, do Adauto Frota e outros, que trabalharam junto comigo a ideia. A FAD, é bom dizer, sequer tinha o seu estatuto reconhecido, o que ensejou a criação de um estatuto novo, aprovado pela Assembleia Geral de Clubes e referendado pelas instâncias superiores do desporto brasileiro. Paralelamente, nós resolvemos transformar a FAD em FFAC, uma vez que a antiga entidade cuidava de todos os esportes. Cuidar bem de todos os esportes se tornou absolutamente impossível. Passamos a cuidar somente do futebol e os demais esportes criaram as suas respectivas federações. Quanto à necessidade de passar de amador para profissional, isso foi uma imposição do tempo em que a gente vivia. O Copão da Amazônia já não mais empolgava e precisávamos evoluir em nível nacional, disputando competições de mais visibilidade. Em 1989, ano em que o nosso futebol passou a profissional, o Acre era o único estado cujo futebol era amador. Era só o Acre e os territórios federais. Juntamos todos os documentos necessários e tivemos o prazer de vê-los aprovados e homologados tanto pela CBF [Confederação Brasileira de Futebol] quanto pelo CND [Conselho Nacional de Desportos]. Não havia outro caminho a seguir. Se permanecêssemos amadores, não teríamos o direito de disputar os torneios nacionais que ora disputamos. Iríamos nos limitar a ficar jogando entre nós, campeonatos sem nenhuma importância ou visibilidade e, igualmente, sem nenhum intercâmbio com outros centros.

Francisco Dandão A partir do advento do profissionalismo no futebol acreano, o que você considera ter sido as suas principais realizações?
Toniquim – Após o advento do profissionalismo, o futebol acreano passou a ser reconhecido nacionalmente, passou a ter visibilidade, enquanto que no tempo do amadorismo, a gente saía daqui para jogar contra os times das outras federações amadoras, no tempo do Copão da Amazônia, por exemplo, e não era publicada uma única linha na imprensa de lugar nenhum, exceto nos locais onde era realizada a disputa. O Copão era uma competição restrita, que não conduzia a lugar algum. Até as condições estruturais eram extremamente precárias, com as delegações, às vezes, ficando alojadas em quartéis, diferentemente de agora, quando a hospedagem se dá em hotéis de razoável conforto. Com o profissionalismo, pode-se dizer que nós já temos uma participação expressiva na Copa do Brasil, tal como aconteceu com o Rio Branco, que chegou numa fase onde só foi eliminado pelo Flamengo, jogando em pleno Maracanã, depois de ganhar dos cariocas aqui e eliminado o Goiás, equipe tradicional do futebol brasileiro. Sem contar as participações do Independência e do Rio Branco na série B. Este último, inclusive, disputou várias vezes a série B. O próprio atacante Artur Oliveira, que chegou a fazer uma brilhante carreira na Europa na década de 1990, só foi descoberto pelo futebol Brasileiro por conta do profissionalismo. Foi disputando uma série B pelo Independência que as atuações do Artur chamaram a atenção dos dirigentes do Clube do Remo, fazendo daí a sua ponte para Portugal. Hoje nós temos atletas acreanos jogando em vários lugares do país e do mundo e isso só acontece porque um dia ousamos trilhar o caminho do profissionalismo. E, além disso, posso citar pelo menos mais duas boas situações proporcionadas pelo profissionalismo: a vinda ao nosso estado de equipes que de outra forma não viriam e a construção de dois ótimos estádios para a prática do esporte.

Francisco Dandão Por falar em estádios, todo mundo sabe que um deles, a Arena da Floresta, foi construído pelo Governo do Estado. O outro, o estádio que leva o seu nome, com o apelido de Florestão, foi construído com recursos próprios. Eu gostaria que você falasse sobre a construção deste estádio, quanto tempo levou a obra, onde você conseguiu os recursos para tocar o empreendimento... Essas coisas, enfim.

Toniquim – A ideia de construir o Florestão veio em função da precariedade do estádio José de Melo, o campo do Rio Branco, que era onde as competições eram realizadas, tanto faz se os campeonatos locais ou nacionais. Mas o José de Melo, apesar de ter cumprido a sua missão histórica, não reunia nenhuma condição estrutural de permanecer como a nossa principal praça esportiva. Nenhuma condição. Todos os times que nos visitavam reclamavam das condições do estádio José de Melo, que era, de fato, bastante precário. E naquele momento, não víamos nenhuma autoridade política preocupada em resolver o problema. Foi a partir daí, mais ou menos no segundo semestre do ano 2000, que surgiu a ideia de que um estádio tinha que ser construído. A primeira providência foi comprar uma área compatível. Depois disso, passei a contar com a ajuda do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que me deu todo o apoio possível para a realização da empreitada. O Ricardo Teixeira foi a única pessoa que me ajudou a realizar esse sonho, ninguém mais. Isso eu devo e sou grato a ele para sempre. Naturalmente, as coisas não aconteceram do dia para a noite. Foram muitos anos desde a compra do terreno até a inauguração do estádio que, diga-se de passagem, ainda nem está acabado. Ainda falta muita coisa para dá-lo como totalmente pronto. Mas, graças a Deus, já se configura em um lugar digno para a prática do futebol, dentro daquilo que demandam as nossas necessidades, elogiado por todos os dirigentes de times de outros estados que nos visitam.
Francisco Dandão A propósito, ainda, do estádio da Federação, presidente, o local foi batizado com o seu nome. Muitos torcedores criticam essa denominação, entendendo que você, ao proceder assim, o fez para se auto-homenagear. Eu gostaria que você falasse algo sobre isso.

Toniquim – O estádio foi batizado com o meu nome por indicação do falecido presidente juventino Roberto Chaar. A partir da indicação feita pelo referido dirigente, a proposta foi colocada em discussão numa Assembleia Geral de Clubes, momento esse registrado em ata, sendo aprovada por unanimidade por todos os presentes. Eu, inclusive, sugeri dar o nome do Ricardo Teixeira para o estádio, dado o apoio daquele dirigente em todo o processo, conforme já falei na resposta anterior. Eu achava justíssimo prestar ao Ricardo Teixeira essa homenagem. Os representantes dos clubes acreanos, entretanto, entenderam que o melhor nome para batizar o estádio era o meu. Eu votei no nome do Ricardo Teixeira, mas fui voto vencido na assembleia. Além da ata, caso alguém não acredite, existe outra boa prova disso que eu estou lhe dizendo, que é uma reportagem publicada na época da reunião de clubes, escrita pelo saudoso jornalista Ramiro Marcelo e publicada no jornal A Gazeta. Isso tudo aconteceu no ano de 2005. Eu guardo essa matéria com o maior zelo, justamente para mostrar aos críticos que não foi ideia minha me auto-homenagear, batizando o Florestão com o meu nome. Eu sou um homem desprovido desse tipo de vaidade. Tenho outras vaidades, muitos defeitos, é claro, mas não esse de me autodenominar uma coisa ou outra. Quero ser reconhecido pelo que eu fizer, mas sem precisar chamar a atenção para isso.

Francisco Dandão Uma coisa curiosa na sua trajetória enquanto dirigente do futebol acreano foi aquela eleição para presidente da CBF, em 1986, quando o Acre votou em separado, voto esse que decidiu o pleito em favor do candidato Otávio Pinto Guimarães. Isso fez com que surgissem especulações de que o voto do Acre teria sido regiamente pago. Fale um pouco sobre esse episódio, por favor.
Toniquim – O que aconteceu, de fato, foi que o Acre teve que votar em separado, dado que naquele momento a federação acreana não tinha o seu estatuto legalizado. Além do Acre, havia um problema também com a federação do Piauí. Então, a Assembleia Geral resolveu impugnar os dois votos. Nesses casos, os votos impugnados são recolhidos separadamente. Esses votos teriam que ser abertos na justiça. Paralelamente, existia naquele momento a promessa do então presidente Giulite Coutinho, no sentido de ajudar na construção da nossa sede. Só que essa ajuda jamais aconteceu. E justamente o presidente Giulite Coutinho estava apoiando o candidato Medrado Dias, opositor do Otávio Pinto Guimarães. Quando eu viajei para o Rio de Janeiro, local da eleição, fui cobrar a ajuda prometida pelo presidente Giulite Coutinho, mas como eu percebi que não havia intenção alguma dele em cumprir a promessa de ajuda para construir a nossa sede, eu fiquei à vontade para votar. Aí eu votei no Otávio Pinto Guimarães. Além do mais, eu sempre tive um ótimo relacionamento com o Otávio, desde a época em que ele era presidente da federação carioca. Muito antes do Otávio Pinto Guimarães ser candidato à presidência da CBF, ela já costumava doar material esportivo para a federação acreana. Ressalte-se que não houve nenhum acerto prévio com o Otávio Pinto Guimarães, até porque ele surgiu como candidato somente na Assembleia Geral que o elegeu, muito menos com o seu vice, Nabi Abi Chedid, para que eles ajudassem na construção da nossa federação. Só após a eleição, na semana seguinte, em conversa com Otávio, Nabi e Gilberto Coelho, este último tesoureiro eleito da CBF, foi que eu falei pra eles que precisava de um determinado valor para comprar uma sede para a nossa federação. O Otávio disse-me que não podia me garantir nada, porque não sabia como estava o caixa da CBF, mas que tão logo tomasse pé da situação me daria uma resposta. E assim foi feito. Logo que pode, o presidente Otávio mandou o dinheiro que eu pedi, usado para a construção da antiga sede da Rua Manoel Cesário. Outra coisa: o voto do Acre, por decisão da Assembleia, não precisou ser aberto na justiça. Foi aberto no mesmo dia. No momento em que foi aberto, o Otávio Pinto Guimarães estava ganhando por um voto. Quando abriram o nosso voto, passou a ganhar por dois, não precisando, sequer, abrir o voto do Piauí. Por conta de tudo isso, eu acabei tendo que responder a uma sindicância no Conselho Nacional de Desportos, CND, cujo presidente na época era o Manoel Tubino. Respondi e provei que tudo foi feito dentro da legalidade.

Francisco Dandão Falando em recursos, presidente, comenta-se que a partir da gestão do Ricardo Teixeira, as federações estaduais receberiam uma grande quantia mensal, para fazer frente às suas diversas despesas. Até que ponto isso é verdadeiro?

Toniquim – As federações, normalmente, deveriam sobreviver a partir dos clubes, cobrando-lhes as diversas taxas relativas aos funcionamentos respectivos. No Acre, no entanto, além de não cobrarmos nada dos clubes, ainda os ajudamos, seja com material, seja com algum dinheiro, quando isso é possível. E aí, respondendo à sua pergunta, o Ricardo Teixeira criou, de fato, essa ajuda para as federações que não tem como se manter. Então, o que acontece é que a CBF faz doações mensais às federações necessitadas, dependendo, no que diz respeito ao valor, do fluxo de caixa deles. Nesse sentido, eu posso afirmar que nós só sobrevivemos, pagamos os nossos funcionários, construímos, reformamos e mantemos o patrimônio da federação graças a essa ajuda da CBF. Pra você ter uma ideia, hoje nós temos uma despesa mensal mínima de 35 mil reais. Isso sem contar as competições que nós promovemos e, naturalmente, temos que bancar.

Francisco Dandão Agora, presidente, depois de passarmos por essas questões mais gerais sobre o seu trabalho na Federação de Futebol do Acre, eu quero fazer uma pergunta de cunho mais pessoal. Eu gostaria de saber a sua opinião sobre em qual época o futebol acreano produziu mais craques. Se antes, no amadorismo, ou se agora, no profissionalismo.
Toniquim – Eu vejo o que se diz de bom do amadorismo como o olhar dos saudosistas. Jamais como o olhar de quem analisa o futebol de uma forma de competição e visibilidade, em nível nacional. Não há um parâmetro assim tão preciso para se dizer que no passado existiam mais craques do que agora, uma vez que naquele tempo nós competíamos somente entre nós mesmos. Agora, diferentemente, nós jogamos constantemente contra equipes de outros estados, seja em competições nacionais, seja em competições regionais. Nós tínhamos jogadores que eram considerados supercraques, mas isso era para consumo doméstico, para o nível de nós contra nós mesmos. Nós não tínhamos como medir o nosso nível, porque não participávamos de nada. Só jogávamos com times de outros estados quando estes excursionavam por aqui. Mas aí eram partidas amistosas, onde os nossos davam tudo de si, enquanto que os de fora jogavam somente para o gasto. Existia o Copão da Amazônia, é verdade, mas essa competição, embora importante para nós, não era nada, não significava nada, nacionalmente falando. Existiam craques, mas dentro de uma ótica muito particular, dentro daquelas condições domésticas nas quais eles se apresentavam. Mas, se você prestar atenção, você não acha praticamente ninguém daquele tempo que tenha saído daqui para fazer carreira pelo mundo. Ao contrário disso, na era do profissionalismo são vários os nomes que saíram e saem daqui para jogar em outros centros, a exemplo do Artur, do Adriano, do Sairo, do Ico etc. E hoje temos o goleiro Weverton, do Atlético Paranaense, e o atacante Doca Madureira, que jogou pelo Rio Branco e agora está na Turquia, depois de passar pela Bulgária. Pra mim, não dá para comparar um tempo e outro.

Francisco Dandão Levando em conta, então, a sua resposta, de que hoje o futebol acreano produz jogadores melhores do que no passado, diga-me, por favor, o que é que estaria faltando para um time do Estado ascender de divisão no futebol brasileiro.
Toniquim – No meu entender, o que mais pesa no nosso futebol é o fator econômico. Para além dessa questão dos bons valores locais, o fato é que o nosso futebol é fraco economicamente, não podendo contratar jogadores de um nível técnico mais elevado. Os melhores jogadores que nascem aqui são levados para outros centros, enquanto que os melhores de lá jamais vem para cá. Falta dinheiro para manter aqui os que se destacam e também para trazer para cá os que poderiam ajudar um time local a subir de divisão. Sem dinheiro não se faz futebol e, por conseguinte, não se ascende de divisão. Aqui os clubes dependem do apoio total do Governo do Estado. No ano em que o Governo não pode apoiar, a coisa fica pior ainda. Aliás, essa ajuda do poder público não é uma peculiaridade do futebol acreano. Em todos os estados menores, fora do eixo das grandes equipes, o poder público é sempre o grande responsável pelos investimentos na formação das equipes que disputam os diversos campeonatos nacionais. No lugar em que o Governo investe mais, aí se formam os melhores times, aumentando a possibilidade de sucesso das respectivas equipes. Agorinha mesmo, para a disputa da série D, segundo se comenta, o Nacional, do vizinho Estado do Amazonas, recebia uma ajuda de 500 mil reais mensalmente do Governo. Embora não tenha conseguido subir, é certo que montou uma equipe bem competitiva. Sem dinheiro, não tem como o futebol chegar a lugar algum. A concorrência é mundial. Onde existe mais dinheiro, aí jogam os melhores atletas. Sem isso, fica difícil, praticamente impossível mesmo.

Francisco Dandão Sobre o seu longo mandato à frente da Federação... De 1984 para cá já são 29 anos. Quanto tempo você ainda pretende ficar?
Toniquim – Nesse instante o que eu pretendo e levar o meu mandato até o fim, o que se dará em 2015. Quando chegar nessa data, eu não sei o que poderá acontecer, se eu saio, se eu me candidato de novo... Eu não tenho hoje uma definição sobre isso. O que está muito claro na minha cabeça agora é levar a bom termo até o fim o meu mandato. E quanto a esse tempo todo em que eu estou à frente da Federação, isso se deu pela vontade de sempre fazer mais pelo futebol acreano. Eu estou sempre vislumbrando alguma coisa de melhor para o nosso futebol e trabalho incessantemente para que isso se materialize. Talvez por isso, acredito que eu tenha tido o reconhecimento dos clubes, porque se assim não fosse eu não seria reeleito. Muito menos teria sido candidato único.  Eu fiquei esse tempo todo por vontade dos clubes, via escolha democrática. Para mim, esses fatores indicam que o trabalho tem sido aprovado pela maioria. É certo que aqui e acolá surjam contratempos com os dirigentes de um clube ou outro, mas, no geral, penso que o saldo tem sido positivo.

Francisco Dandão E o que você ainda gostaria de fazer pelo futebol acreano, depois desses 29 anos à frente da Federação?
Toniquim – Eu guardo dentro de mim um sonho ousado, voltado para a formação de atletas. O sonho de montar um centro de treinamentos com todas as condições possíveis, reunindo profissionais capacitados para trabalhar com jovens. Seria uma coisa bem programada, igual ao que se faz em outros centros. Isso é uma coisa que falta aqui no Acre, porque matéria prima, material humano, jovens talentosos nós temos em profusão. Falta apenas essa estrutura para esses talentos brotem e desenvolvam plenamente as suas capacidades. Isso é um sonho. Mas é um sonho que eu sei ser muito difícil de realizar, porque além da montagem da estrutura física, precisaria de recursos para a manutenção. Quem deveria tomar essa iniciativa era os clubes. Mas, em razão da precariedade financeira do nosso futebol que eu já citei anteriormente, acabei entendendo que a federação poderia ser a entidade mais indicada para criar essa situação.

Francisco Dandão Algum arrependimento, alguma mágoa, depois desses anos todos à frente da Federação?
Toniquim – Não, nenhum arrependimento ou mágoa não. Existem alguns contratempos, é verdade, mas isso é normal quando se exerce uma atividade que mexe com emoções, paixões etc. Isso faz parte do jogo. Às vezes a gente sente alguma tristeza, em função do que se escuta de pessoas que não tem sequer noção do que é feito. Isso magoa. Nós somos a única federação do Brasil a ter um estádio próprio... Um estado pobre como o nosso... Isso é reconhecido pelo Brasil todo... Todos os dirigentes de times que vem aqui ficam abismados com a nossa estrutura... A própria FIFA já fez elogios a essa nossa estrutura, através dos seus instrutores que vem aqui ministrar cursos para os árbitros... Das federações de futebol do Brasil, a do Acre é a que tem a melhor estrutura para a realização de cursos de formação de árbitros, de acordo com os diversos instrutores que tem nos visitado nos últimos tempos. Isso é público e notório, mas esse reconhecimento vem mais de fora do que do pessoal aqui do Estado. No fim das contas, a gente acaba vivendo um sentimento duplo: feliz com o reconhecimento dos visitantes; e triste com a falta de reconhecimento local.

 

 

(Publicada originalmente em Futebol Acreano em Revista – Dezembro de 2013)

 


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