Entrevistas
Mário Vieira: sucesso no Amazonas e no Acre

O futebol entrou tarde na vida do meio-campista Mário Vieira, carioca do bairro do Encantado, que veio ao mundo em 9 de julho de 1944, plena Segunda Guerra Mundial. Embora o personagem desde menino adorasse uma “pelada”, foi somente aos 22 anos, por uma interferência do destino, que ele teve a primeira oportunidade num time de verdade.

Depois de cumprir o serviço militar, Mário Vieira ganhava a vida como feirante, carregando caixas de legumes e frutas de um lado para o outro.

Nem de longe imaginava que seria jogador futebol. Eis que, um dia, o time do bairro foi convidado para um treino contra os profissionais do Madureira. Mário foi junto e marcou os três gols da vitória da sua equipe.

O presidente do Madureira, Natal da Portela (também dirigente da Escola de Samba do mesmo nome), não pensou duas vezes e o contratou na mesma hora. Corria o ano de 1967 e as atuações do ex-feirante no campeonato carioca foram tão boas que despertaram a atenção do poderoso Vasco da Gama. Mário foi para São Januário, onde treinou durante 40 dias.

“Tinha muita gente boa na época. Era muito difícil entrar naquele time. No meio campo jogavam ninguém menos do que o Alcir e o Danilo Menezes. Não tinha vaga pra mim. Mas a estada no Vasco foi por demais benéfica. Por estar lá é que surgiram convites para jogar no Nacional, de Manaus, e no Remo, de Belém. Escolhi o Nacional”, explicou Mário.

O sucesso no futebol amazonense

Pelo amazonense Nacional, de 1968 a 1972, Mário Vieira viveu os seus melhores anos como profissional de futebol, atuando, ao mesmo tempo, pelo clube e pela seleção estadual, ao lado de craques consagrados como, entre outros, Pedro Hamilton, Rolinha, Zezé, Pretinho, Téo, Heraldo, Berto, Zé Carlos, Bosco Spener, Holanda, Marialvo, Sula e Pepeta. Mário Vieira foi tão importante para o Nacional que, anos depois, virou até verbete do livro Baú Velho, de autoria de Carlos Zamith. De acordo com o autor, “Mário formou com Rolinha uma das melhores duplas do meio campo do futebol amazonense”. Tanto que, lá pelas tantas, dada a sua desenvoltura em campo, ganhou o apelido de “Motorzinho do Naça”.

Em 1973, depois de cinco anos longe de casa, Mário resolveu voltar para o Rio de Janeiro, onde passou algumas semanas treinando no América. Nesse período, recebeu uma proposta do Santa Cruz, de Recife, dirigido pelo experiente treinador Paulo Emílio. Mas o Rio Negro, de Manaus, foi mais rápido, comprando o seu passe que ainda pertencia ao Nacional.

O Rio Negro acabou não sendo um capítulo feliz na vida do “Motorzinho”. Mário, depois de uns poucos meses e quase nenhuma partida, acabou se desentendendo com o técnico Décio Leal e achou que deveria parar com a bola por algum tempo. Ficou mais de um ano sem jogar profissionalmente, vivendo de economias e do aluguel de um táxi.

A ida para o Acre

Em 1975, indicado pelo amigo e também jogador Tadeu Belém, Mário Vieira chegou ao Acre, para defender o Rio Branco, onde permaneceu até pendurar as chuteiras, em 1980. “Para jogar no Rio Branco, eu recusei uma proposta do Nacional e um convite para fazer testes no Clube do Remo. A oferta do Rio Branco era bem melhor”, afirmou Mário.

“Larguei a bola aos 36 anos, mas ainda em forma, que eu sempre me cuidei muito bem. Só parei porque chegou ao Rio Branco um técnico chamado Ticão que, mesmo sem me dizer nada, demonstrou com atitudes de indiferença, que não queria contar com o meu futebol. Como para bom entendedor basta um gesto, tratei de cair fora”, explicou o Motorzinho.

Depois de parar definitivamente com a bola, Mário virou funcionário público, primeiro como chefe de transportes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), levado pelo diretor Xavier Maia, depois como fiscal de tributos, nomeado pelo prefeito Adalberto Aragão. Ainda na ativa, o “Motorzinho” se aposentará em 2014, no dia em que completar 70 anos.

Mas não foram apenas as atividades como funcionário público que ocuparam o tempo dele depois de ele parar de jogar futebol. Mário também teve uma passagem vitoriosa como técnico do Juventus (campeão estadual de 1989) e da Teleacre (campeão brasileiro de 1982). E além destes, ele treinou o Rio Branco (1982), o Atlético (1990) e o Independência (1997).

 


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