Entrevistas
Ex-jogador do Galo tem plano para as divisões de base

O ex-jogador, o lateral direito Jair, com passagem pelo Rio Negro, Nacional e América, em Manaus, além da Tuna Luso e Clube do Remo, em Belém e uma curta trajetória pelo Botafogo, em uma exclusiva ao Globoesporte.com confessou que não acompanha o Campeonato Amazonense desde quando abandonou o futebol na década de 1990 e disse ainda que os dirigentes locais precisam investir mais nas categorias básicas e valorizar o chamado jogador 'prata da casa'.

- Desde quando deixei o futebol na década de 90 de lá pra cá não acompanho o futebol por ter largado prematuramente os gramados. Tenho muitos projetos para o futuro, mas não tenho oportunidade para expor, porque chegar junto ao governador ou vice nós somos barrados por pessoas que são assessores, que na verdade atrapalham em vez de ajudar. Tenho diversos projetos e idéias que poderiam ajudar o nosso futebol - explicou.

Jair acredita que sua experiência vivida dentro de campo ao longo de sua carreira, pode ser importante e contribuir de forma fundamental para os jovens valores que surgem no futebol amazonense e precisam de uma orientação de mais qualidade e um profissional experiente.

- Não digo só eu, mas outros ex-jogadores que estão querendo mostrar seu talento, seus projetos para a melhoria do nosso futebol e não tem oportunidade de chegar e falar com os nossos governantes, porque são impedidos logo na entrada podem contribuir em muito com o esporte – finalizou.

Exemplo

Considerado o melhor lateral direito na década de 80, Jair, também concorreu ao prêmio da ‘Bola de Prata’, promovida pela revista Placar. Na época, o jogador amazonense disputou junto com jogadores consagrados do futebol brasileiro na posição: Leandro (Flamengo), Perivaldo (Botafogo), Nelinho (Cruzeiro), entre outros. Segundo o ex-jogador é preciso valorizar ainda mais as divisões de base do futebol amazonense para revelar bons valores.

- Temos que resgatar as divisões de base e esquecer o futebol amador. Os campeonatos infantil, juvenil e infanto-juvenil tem que ser mais valorizado. Hoje, dificilmente alguém verifica um time que tem sua formação básica. Tudo que fazemos em nossas vidas precisamos de projetos básicos e no futebol não existe isso e nem pode ser diferente. Acredito que é indispensável a aplicação de recursos na base. Hoje não temos um valor local, ou seja, o torcedor falar que ‘fulano’ ou ‘beltrano’ surgiu no clube e o ídolo como fica? – completou.

Outro problema que Jair aponta no futebol amazonense são os cartolas que iniciam um trabalho no clube, não passam muito tempo, ou o trabalho que começam fica pela metade e depois saem para concorrer em algum cargo político na legislatura municipal, estadual ou até federal.

- Agente precisa ter valores também de dirigentes e com boa vontade para desenvolver o esporte, fazer de coração, como por exemplo Manoel do Carmo Chaves, Maneca, Ezio Ferreira, enfim vários que passaram pelo nosso futebol e que tem um nome a zelar e principalmente brigavam pelas coisas do clube.

Bons tempos

No Atlético Rio Negro Clube, Jair viveu um dos melhores momento de sua vida como jogador de futebol. O ex-lateral direito, jogou de 1980 a 1984. Nesse período teve a oportunidade para trabalhar com treinadores conhecidos do futebol amazonense: César Moraes, Adinamar Abib, Ivan Gradin, Casemiro, Antonio Piola, Rolinha, entre outros.

Jair não esquece do Rio Negro, campeão do Amazonas, em 1982, considerado por ele como o maior de todos os tempos já formados por dirigentes do Galo da Praça da Saudade até hoje. A lembrança de seus companheiros de equipe que jogaram ao seu lado ficaram na memória do ex-jogador.

- Aquele time era fantástico formado por: Tobias, Eu (Jair), Marcão, Darinta, Tonho, Djalma, Pedrinho, Patrulheiro, Berg, Tiquinho e Alcino. Nós fomos campeão invicto no Estadual. É uma equipe inesquecível que jamais terá uma formação de tamanha qualidade como foi aqueles jogadores - relembrou com saudade da equipe pelo potencial técnico na época.

Trajetória

Jair Trindade da Silva Cirne, 51, amazonense, iniciou na equipe de futsal do Santos Futebol Clube, bairro de Educandos, Zona Sul de Manaus. O jogador no salonismo foi heptacampeão amazonense. Aos 18 anos, o preparador físico, Paulo Feitosa viu Jair jogar no futsal e o levou para treinar no Atlético Rio Negro Clube, em 1980. No clube Barriga Preta, Jair se profissionalizou e foi titular nas disputas do Campeonato Amazonense e Brasileiro contra Paysandu-PA, Moto Clube-MA, Sampaio Corrêa-MA, Fortaleza, River-PI, entre outros times do futebol brasileiro.

 


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