Entrevistas
Pepeta: o melhor ponta esquerda do AM completa 67 anos

Talvez ele seja a melhor "descoberta" do início dos anos 60, em Manaus. Menino de talento nato, com habilidade incomparável com a bola encantou e transformou-se no grande herói do Amazonas, em uma época que se respirava futebol no Estado e que os craques, formados aqui, eram conhecidos como “pratas da casa”.


Pepeta posa com o livro "Páginas de vida e história" escrito pela sua esposa, a escritora Carmem Novoa Silva

Pepeta, é lembrado até hoje como o melhor ponta-esquerda da capital amazonense. Ídolo da torcida do Nacional, o ex-jogador entrou para história ao ser o primeiro atleta local a marcar um gol no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em 1969 na vitória contra o Maringá, do Paraná.

Nesta sexta-feira, 16 de dezembro, o nosso eterno herói  e atual empresário do ramo das cerâmicas, completa 67 anos e o Acritica.com resolveu fazer uma viagem no tempo para relembrar os fatos desta curta e meteórica carreira futebolística.

O início

Pepeta era jogador de  futebol de salão no Nacional, quando foi descoberto pelo treinador do time infanto-juvenil de futebol de campo, Barbosa Filho, que o chamou para um treino na sede do Leão da Vila Municipal, em Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

Por conta da sua habilidade com a bola e da facilidade que tinha em driblar os companheiros, o menino de 18 anos, foi escalado para jogar contra o São Raimundo, no Estádio da Colina, Zona Oeste de Manaus e marcou um dos gols da vitória de 4 a 2.

Com a camisa 11, o garoto foi eleito o “craque da partida” e passou a ser titular do time principal do Nacional e ídolo da torcida.

Em 1964, jogou pelo Palmeiras, em São Paulo, onde ficou cerca de seis meses. De volta a Manaus ele retornou ao Leão da Vila Municipal, seu clube de coração.

Pepeta, o herói do Amazonas

Pepeta era veloz e a sua presença em campo tornava os jogos de futebol da década de 60 verdadeiros espetáculos.

No dia 24 de agosto de 1969, o Nacional derrotou o Maringá do Paraná, por 1 a 0, com um gol de Pepeta aos 10 minutos do segundo tempo, no Maracanã, foi a primeira vez que um time local jogou no Estádio do Rio de janeiro. Quando retornaram a Manaus, os jogadores do Naça tiveram uma recepção apoteótica, a cidade parou para receber os atletas, o governador do Amazonas, na época, Danilo de Matos Areosa, decretou dois dias de ponto facultativo, os comerciantes fecharam as portas e se juntaram a multidão para seguir o carro dos bombeiros que transportava o mais novo herói do Estado, Pepeta, autor do único gol da vitória histórica, considerada ainda hoje como o maior feito do futebol amazonense.

O craque também esteve presente na partida que inaugurou o Estádio Vivaldo Lima, Zona Oeste de Manaus, pela Seleção do Amazonas ele enfrentou a Seleção Brasileira de 1970, tricampeã do México.

Fim da carreira

Mas para a tristeza de torcedores e dirigentes, o melhor ponta-esquerda resolveu pendurar as chuteiras aos 25 anos, em outubro de 1970, 10 anos depois do início da sua carreira, para assumir uma vaga na empresa aérea Cruzeiro do Sul.

Seu último jogo oficial com a camisa do Nacional aconteceu no dia 18 de outubro de 70, contra o Fast, 1x1, válido pelo Campeonato Amazonense e pelo Nordestão.

O que mudou?
Nos anos 60, Manaus viveu o apogeu do futebol, jogadores tornavam-se ídolos pelo belo jogo que apresentavam em campo, o público lotava os estádios, as partidas transformavam-se em espetáculos que atraiam homens, mulheres, crianças e idosos. Bem diferente do que acompanhamos atualmente durante os confrontos do Futebol Amazonense. Para o jornalista, Carlos Zamith, o que falta é um atrativo a mais nos campos de futebol.

“É preciso criar estratégias novas que chamem a atenção do público, em 60 e 70, as promoções é que faziam esse papel, as mulheres, por exemplo, não pagavam ingresso, em compensação levavam seus maridos, namorados e filhos, que lotavam os estádios, com isso o lucro dos times era grande”, comentou Zamith.

Para Pepeta, a tecnologia pode ter contribuído para que as pessoas deixassem de acompanhar o futebol amazonense.

“Nós podemos assistir  jogo de qualquer lugar do mundo através da televisão, acredito que este é um dos motivos que afastou as torcidas dos jogos locais, a facilidade. Porém, é importante lembrar que a presença do público em um jogo é fundamental para os times, pois é sempre um bom incentivo”, completou o ex-ponta-esquerda do Nacional, ou melhor, o sócio-gerente da Cerâmica Marajó Ltda, José Ricardo dos Santos Silva (Pepeta), casado com Carmem Silva, pai de três filhos e aniversariante deste 16 de dezembro de 2011.

Feliz aniversário Pepeta e obrigada por todas as glórias realizadas durante esses 10 anos de espetáculo, talento e felicidade lembrados até hoje por todos os amantes da modalidade mais importante e apaixonante do Brasil e do mundo, o futebol.

 


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