Entrevistas
Carlos Lucena segue trabalhando com grupo de anões

Há mais de um ano e meio, Carlos Alberto Lucena andou sumido da mídia esportiva paraense. Mas engana-se quem pensa que ele mudou de profissão ou ganhou na Mega-Sena. Lucena possui a mesma rotina de antes: os anões continuam fazendo parte da vida dele. No bar, em que o ex-jogador é proprietário há quase 40 anos, os homens de estatura baixa dominam o local. Todo dia chega um novo por lá. Todos vêm com o intuito de ingressar no novo time de anões que Lucena formou. “Esse chegou hoje (quinta-feira) aqui, é de Soure”, diz ele apontando um a um para os anões encostados no seu bar. “Esse de Salvaterra; esse de Santa Inês, esse de Cametá. Já estou com 16”, completa.

A nova empreitada começou após um desentendimento com um dos membros do Gigantes do Norte. Lucena não fala mais mesma língua que Alberto Jorge, mais conhecido pelo seu personagem “Capacidade”, do programa Metendo Bronca, da RBATV. “Como eu não estava presente a todo o momento, ele começou a chamar os anões para o lado dele. Aí, resolvi sair. Vieram seis comigo. Depois da primeira semana que separou já realizamos um jogo”, conta.

Lucena passou a comandar o novo grupo de anões longe dos holofotes. “A gente não vai para televisão, rádio, lugar nenhum. Mas estamos jogando, sem ninguém saber. Temos cartaz, DVD, tudo organizado”, garante. O nome da equipe é o mesmo que ficou conhecido nacionalmente. “Eu montei o time e patenteei o nome. O nome é meu. Eu tenho CNPJ, tenho tudo, ele (Alberto) usa o time até o dia que eu quiser porque o Gigantes do Norte fui eu que fiz”, diz ele, rígido nas palavras.

Com o novo Gigantes do Norte, Lucena nem pensa em voltar para o antigo, que ficou com as estrelas do time, como as versões miniaturas de Petkovic, Ronaldo e Vagner Love. “Já ouvir falar que ele botou ‘Gigantes do Norte Show’. Eu nem quero mais voltar, tô feliz com esse time aqui”, garante. Lucena se diz chateado com o antigo colega. “Com esse time, mostramos que o anão tem a sua importância na sociedade. Fiquei magoado com ele por isso. Agora, todo mundo me conhece do futebol, já ele da televisão”, dispara.

No entanto, nos últimos meses, a fama do treinador sumiu junto com o seu cargo no Gigantes do Norte. Lucena não está treinando nenhum time profissional e no novo time de anões, assim como no velho, só exerce uma função, semelhante a um presidente. “Eu estou esperando um convite para trabalhar no profissional, porque eu tenho que trabalhar. Se alguém pensa que isso me empata, isso não me atrapalha em nada. O dia que eu pegar um time, tem gente para tomar conta, já tem tudo esquematizado”, afirma.

Mas Lucena aponta o motivo para o desemprego no mundo da bola. “Acho que o problema de estar parado era porque eu brigava muito, defendia muito o time que eu estava”, lembra ele. Tanta proteção influenciava sua relação até com os repórteres que cobriam a Tuna, no período de 2006 a 2009, quando conseguiu ser campeão paraense do primeiro turno em 2007. “Você abria o jornal só tinha matéria do Remo e do Paysandu. Sempre brigava com repórter para estarmos presente. Passei três anos na Tuna e acho que fui o treinador que mais apareceu na imprensa porque lutava por isso”, explica.

Hoje, pai de Carlos, Cassio e Luciana, a filha caçula, Lucena diz que mudou. “Tenho consciência que estou sem trabalho por muita coisa negativa que fiz. Hoje, agiria mais com a razão”, confessa. Os jogos pelo interior com o Gigantes do Norte e o seu bar em Canudos, viraram a sua rotina. “Gosto dessa esquina aqui. Não bebo, não fumo, minha diversão é estar com os amigos, com os anões, aqui, vendo os jogos, conversando...”.

 


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