Entrevistas
Zenon: um zagueiro que impunha respeito na área

Com a bola nos pés, Zenon, lateral-direito de origem (depois zagueiro, depois volante), sabia muito bem o que fazer. Os passes e lançamentos saíam precisos para os companheiros que jogavam no ataque. Sem a bola, porém, a situação se invertia completamente. Driblá-lo era proibido. O adversário que ousava fazer isso era punido com um sarrafo e se estatelava no chão.

Zenon Lopes de Oliveira, nascido em 01 de dezembro de 1959, deu os primeiros chutes numa bola de futebol no infantil do São Francisco, em 1971. “Eu morava ao lado do campo do São Chico e cresci junto com os meninos do Vicente Barata, dono do clube. Era natural, portanto, que eu iniciasse minha carreira no time deles. Não podia ser diferente”, declara o ex-jogador.

Aos 16 anos, no primeiro semestre de 1976, foi chamado para o time de cima do São Francisco, que na época disputava o campeonato suburbano. Disputou por duas temporadas o campeonato da referida categoria e depois subiu com o time para a divisão principal. Em 1981, seu futebol ficou pequeno para o “Time Católico” e Zenon migrou para o Rio Branco.

“O convite para jogar no Rio Branco partiu do técnico Ticão. Ele me viu jogando o Torneio Início, já na posição de zagueiro, e mandou o diretor Clóvis Alves entrar em contato comigo. Eu nem pensei duas vezes. Só que teve um problema: a direção do clube não cumpriu o que me prometeu e no ano seguinte eu já estava no São Francisco novamente”, conta Zenon.

Em 1984, desta vez para não mais sair, Zenon voltou para o Rio Branco, formando uma respeitada dupla de área com Chicão e ganhando, logo de cara, o Copão da Amazônia, em Macapá. Até 1988, quando resolveu pendurar as chuteiras, ainda teve tempo de conquistar mais dois títulos pelo Estrelão, o Torneio do Povo de 1985 e o estadual de 1986.

Dois gols e uma vitória inesquecível

Jogando sempre em posições defensivas, Zenon marcou pouquíssimos gols em sua vitoriosa carreira. Dois deles, entretanto, jogando pelo modesto São Francisco contra o poderoso Juventus, não saem da sua memória, mesmo já tendo se passado 20 anos desde então.

De acordo com o relato do ex-craque, poucos momentos antes de o jogo começar o São Francisco só tinha nove jogadores titulares disponíveis. E assim, teve que improvisar um reserva de goleiro como lateral-direito e um outro sujeito que nunca jogava, por ser ruim demais, como ponteiro-esquerdo.

“Era consenso geral que nós íamos levar uma goleada histórica. Impressão que se reforçou quando o Juventus fez 1 a 0. Para surpresa de todo mundo, inclusive nossa, nós viramos o jogo com dois gols meus. Acho que até hoje os juventinos não entendem o que aconteceu naquele dia”, diz Zenon.

Coca-Cola: um técnico de extrema competência

Embora o primeiro técnico a reconhecer o talento de Zenon tenha sido o paranaense Ticão, foi com o cearense Coca-Cola que o ex-jogador teve as suas melhores oportunidades no Rio Branco.


“O Coca-Cola foi o melhor técnico com quem eu trabalhei. Além de saber tudo das coisas que aconteciam dentro das quatro linhas, ele ainda orientava os atletas na vida particular de cada um”, afirma Zenon.

Quanto aos melhores jogadores do futebol acreano que viu atuar, Zenon escala o seu time ideal com Ilzomar; Mauro, Chicão, Neórico e Antônio Maria; Emílson, Mariceudo e Carlinhos; Paulinho, Gil e Amarildo. Fora esses, ele cita ainda como craques fora-de-série os seguintes: Airton, Sérgio Lopes, Dadão, Neivo, Paulo Henrique, Othon, Jorge Jacaré e Tonho.

 

 


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