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Junior: de lateral a inspetor escolar

AJunior: de lateral a inspetor escolar (Foto: Mário Quadros)s lembranças de uma carreira de 17 anos de futebol, cheia de altos e baixos, estão guardadas na calmaria da rua Uriboca Velha, no município de Marituba. É nessa rua, estreita e distante do barulho da cidade, que o ex-lateral Moacir Junior dos Santos Barbosa, de 42 anos, mais conhecido por Junior, escolheu viver. “Morei aqui a minha vida toda”, diz ele. Na tranquilidade do lugar, as recordações do mundo da bola afloram facilmente, ajudadas pelo campo de futebol bem em frente à sua casa. “Foi nesse campo aqui que comecei”, revela.

Hoje, o campo ainda lhe serve para por em prática a habilidade que um dia serviu a Remo, Paysandu e Tuna, fora outros clubes menores, como o Izabelense. “Todo dia dou minha caminhada aqui no campo. Nos fins de semana jogo bola com os colegas aqui do bairro”, diz. Depois de se aposentar dos gramados, a vida do ex-jogador ficou restrita à rua Uriboca. Junior se tornou inspetor de uma escola municipal, que fica distante alguns metros de sua residência. “No começo foi difícil, mas comecei a conviver com todos aqui, com as crianças, faxineiros, professores e passei a gostar. Meu turno é pela manhã, mas à tarde sempre estou por aqui”. E assim se passaram oito anos longe dos gramados.

A última partida foi pelo Pedreira, de Mosqueiro, quando Junior ainda tinha 34 anos. A carreira já tinha chegado ao fim. “Comecei a jogar em times pequenos, que não ofereciam uma boa infraestrutura e os salários atrasavam. Sabe como é... estava acostumado com os times grandes”, explica. Bem diferente de quando começou nas categorias de base da Águia do Souza, no ano de 87. De lá, até no sub-20 do Flamengo Junior teve passagem. “Nesse tempo, a divisão de base do Flamengo era muito boa. Convivi com Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Junior Baiano, que também começavam suas carreiras”, recorda.

GLÓRIAS DO PASSADO

Mas, em quatro meses, o time carioca não lhe ofereceu oportunidades. O lateral resolveu retornar às origens. “A melhor fase da minha vida foi na Tuna. Fui campeão brasileiro da Série C em 92. Um título brasileiro sempre fica na memória”, assegura.
Prova disso é a recordação, com riqueza de detalhes, que Junior guarda da final do certame daquele ano. A Tuna fazia a final com o Fluminense de Feira de Santana e havia perdido o primeiro jogo por um a zero. Para levantar a taça, a Águia precisava vencer por dois gols de diferença. “Começamos ganhando com um gol do Ageu Sabiá. Eles empataram. Mas logo em seguida passamos à frente. O jogo foi ficando difícil. Até que no nosso último ataque, aos 42 minutos, eu bati o escanteio e o Juninho fez o gol da vitória. Foi uma festa”, narra.

Título que rendeu bons frutos. “Fui indicado pra alguns times de São Paulo, mas acabei indo para o Atlético Mineiro”, diz ele, com orgulho. Porém, o declínio na carreira ensinou boas lições. “Muitos colegas me ofereceram drogas. Os jogadores têm que deixar isso de lado, as noitadas, se preservar, cuidar melhor da carreira”, aconselha. Junior conta que não ficou rico, mesmo assim não se arrepende dos 17 anos como jogador. “Sinto saudade das amizades de verdade, da rotina de jogador”, diz.

 


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