Entrevistas
Sérgio Cosme destaca trabalho em conjunto no Papão

O Bola foi ouvir o que tem a dizer o técnico campeão do primeiro turno do Campeonato Paraense, Sérgio Cosme. Solícito, ele nos recebeu no prédio em que mora, agradeceu da cozinheira ao presidente do Paysandu e falou de como tem sido comandar o Papão.

Bola – O que significou seu choro após a conquista do primeiro turno?
Sérgio Cosme –
Nunca fiquei tão emocionado conquistando um título. Desde que cheguei, tratei todos bem e fui muito mal tratado, criticado. Não só por parte da imprensa, mas pela torcida. Ficava preocupado em sair na rua e pensava, ‘será que estou fazendo mal a esse pessoal?’ Mas quando conquistamos o título e eu vi aquela torcida maravilhosa, me deu uma felicidade muito grande.

Bola – Haverá mudanças no time contra o Bahia?
SC –
Vamos ver as opções, a situação física e orgânica deles, foi um desgaste muito grande. Vou depender muito do parecer do Departamento Médico. Tem que ver o caso do Alisson que saiu nocauteado de campo. O Marquinho vai estar disponível. Vamos ver.

Bola – Alguns torcedores ainda resistem ao seu trabalho?
SC –
A torcida do Paysandu é imensa e fica meia dúzia ali atrás do banco e a imprensa aproveita. É uma minoria insignificante. O que representa é a grande nação que aplaudiu a conquista.

Bola – Essa resistência tem a ver com o quinto ano bicolor na Série C...
SC –
É um sofrimento. Clube de massa. Há uma frustração grande por isso. O projeto principal é subir, mas tem que vir peças para nos ajudar.

Bola – Na comemoração, o senhor citou o fato de ter 60 anos e estar na ativa. Defende a terceira idade?
SC –
(Risos) No Japão os idosos são tratados com idolatria, sábios. Aqui são execrados. Assim como eu tem vários, Joel Santana, Geninho... Somos capazes, não só na minha profissão como em qualquer outra.

Bola – De todos os episódios que o senhor passou no Paysandu até aqui, o que tirou de lição?
SC –
Sabe pra que serve Re-Pa? Aquele que perder é para mandar a comissão técnica e jogadores embora. As equipes daqui têm que pensar grande, em Vasco, Palmeiras, para não viver só de Re-Pa. Só tem dois, três Re-Pa por ano e caem nessa frustração. Mandam embora porque perde Re-Pa. Isso não é futebol a longo prazo. Já pensou se o Santos perdesse para o Corinthians e mandasse a comissão técnica embora? É trabalho para outras competições.

Bola – E o corte e chegada de jogadores sem o seu aval?
SC –
Técnico vive de resultado. Com os jogadores é mais ou menos assim. Tivemos sete vitórias seguidas e alguns jogadores foram liberados. É difícil você administrar. Isso cria uma instabilidade grande no grupo que fica. ‘Ah, se eu perder vou ser mandado embora’, ‘Ah, se eu jogar mal, vou ser mandado embora’. Não gosto disso, mas infelizmente aconteceu.

Bola – E a saída do Thiago Potiguar?
SC -
Foi benéfico para ele e para nós também, mesmo com a saída dele. Estamos trabalhando mais coletivamente. Agora todos têm que resolver.

 


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