Entrevistas
Fininho pretende brilhar com a camisa do Leão

Apresentado na segunda-feira pelo Clube do Remo, o meia Fininho, de 24 anos, chamou a atenção pela desenvoltura diante das câmeras e do microfone. Falante e bem articulado, ele foge de parte do estereótipo de jogador de futebol: é formado em educação física e tem como hobby a leitura e a música. Seu pensar aguçado, porém, vem da experiência de vida. O meia tem, por outro lado, uma história muito parecida com a da maioria dos boleiros: vem de uma família humilde e vê no futebol a chance de proporcionar aos seus as boas oportunidades que teve.

Em campo, a personalidade é a mesma fora dele. Dono de um futebol diferenciado, o meia chamou a atenção na 1ª Fase tanto pelos gols e passes que fez jogando pela Tuna quanto pela postura em campo: até nos treinos pedia aos companheiros que "dessem" e bola nele. "Eu resolvo", garantia. No Remo, já chegou demonstrando a vontade de vestir a camisa 10. "Sempre usei esse número nos clubes onde passei", diz ele, que promete brigar para vestir a mística camisa respeitando o espaço dos companheiros. "O importante é ser campeão paraense", destaca.

Como foi sua vida antes do futebol?
Sou de uma família humilde, sempre trabalhei bastante antes do futebol. Foquei bastante nos estudos, para que, se não desse certo no futebol, pudesse ter um bom emprego. Mas, graças a Deus, Papai do Céu abençoou e tudo deu certo no futebol.

Você tem um modo de falar próprio, sem abusar de lugares-comuns. Isso se deve à formação escolar?
Sim, tenho meus estudos completos, sou formado em educação física. Como falei, independente de ser jogador de futebol, procurei focar bastante nos estudos, sabia que dali também poderia sair uma carreira bastante plena para mim.

Como você entrou no futebol?
Comecei na escolinha de base do Nacional-AM, mas como não estava conseguindo conciliar com os estudos, resolvi parar. Estudei bastante, trabalhei. Quando houve oportunidade no Nacional de me tornar profissional agarrei a oportunidade e graças a Deus fui muito feliz por essa escolha na vida e na carreira.

No Amazonas, como era a visão sobre o Pará? Se destacava o futebol local, ou o foco é o preconceito que vários paraenses se queixam?
Com certeza sempre tive conhecimento de Remo e Paysandu e sempre soube a potência que é o futebol paraense. Em relação ao preconceito, isso é bobagem. Eu me considero amazonense, tenho um carinho muito grande pelo povo paraense, tenho muitos familiares paraenses. É um povo aguerrido, trabalhador, que vai para Manaus procurar oportunidade, como eu, que vim bater aqui em Belém, em busca de oportunidades. Os moradores da cidade me acolheram de braços abertos e eu sou muito feliz por isso.}

O que aprendeu jogando em clubes como São Caetano e Ipatinga, hoje bem estruturados?
Foi muito bom para crescer profissionalmente. Trabalhei com profissionais de alto porte. No dia a dia a gente aprende, adquire experiência boa. Sou feliz por ter passado por lá. Mas agora vou dar sequência no Remo, que também é um clube grande. Espero que possa desenvolver meu trabalho da melhor maneira possível. E que ambos os lados consigam o objetivo: vitórias e conquistas.

Esperava que sua passagem pela Tuna se convertesse em uma grande vitrine?
Eu cheguei em Belém com essa meta. A gente sabia que algumas pessoas iriam comentar: "Como a Tuna trouxe esse jogador? Ele nunca tinha vindo para cá". Mas como falei, nunca havia tido proposta de jogar no futebol paraense, e sempre tive muita vontade. E através de Zé Carlos (ex-técnico e supervisor de futebol da Tuna) e dos meninos que jogaram no Penarol em Manaus, acabou a gente combinando minha vinda e deu tudo certo.

E essa meta de ser o 10 do Remo? Está preparado para essa responsabilidade?
Como falei, gosto de ser o 10, mas para isso tenho que trabalhar todos os dias. Respeitando companheiros e a vontade do treinador também, mas não vou me omitir em momento algum. Se a responsabilidade da camisa 10 vier para mim vou segurar com todas as froças pra dar muita alegria a essa torcida maravilhosa.

Autoconfiança sempre foi uma característica sua?
Sempre tive autoconfiança porque em todos os lugares que eu passei tudo deu certo. E o Deus que eu sirvo é maravilhoso, ele que me faz ter essa auto-confiança. Todos os dias eu posso conquistar. Eu não abro mão disso. Onde chego falo em vitórias, falo em conquistas porque eu sou vitorioso, sou filho de Deus

Qual é a sua religião?
Sou adventista.

Qual seu sonho no futebol?
Eu, como jogador, não tenho muita ambição, não. Trabalho para melhorar a minha vida financeiramente. Acho bom ter um trabalho legal, ter um salário legal, poder ajudar minha família, que precisa muito de mim. Tenho um filho que precisa de mim bastante. Meu sonho é poder ajudar minha família daqui para os 30, 35 anos. Não tenho vícios. Me livrando das contusões espero jogar muito tempo e estou feliz. Passo a passo, cada dia tendo conquistas diferentes. Sou tranquilo e vou trabalhar no Remo para ser feliz como fui na Tuna. E que possa ser campeão paraense para que portas se abram cada vez mais.

Pensa em ser técnico ou exercer outra função ligada ao futebol?
Olha, cara, isso aí a minha família sempre comenta comigo, se vou querer ser treinador. Acho que daqui para frente só se mudar meu pensamento, porque é complicado. Lidar com 30 cabeças diferentes, pensamentos diferentes, isso é complicado para caramba. Mas não sei. Tudo é da vontade de Deus. Se ele daqui para frente colocar na minha cabeça que devo trabalhar no ramo futebolístico com certeza vou trabalhar da melhor forma possivel.

Ser jogador é tão difícil quanto ou lidar com os companheiros é tranquilo?
Acaba sendo fácil, pela minha pesoa. Sou um cara humilde, que gosto de todos, tento agradar todos, isso aí acaba sendo fácil, acaba formando uma família, até porque a gente passa a maior parte do tempo com os jogadores, com comissão, com diretoria e acaba formando família. O clube é nossa familia. Me sinto feliz por isso.

O que gosta de fazer nas folgas?
Leio bastante. Gosto bastante de ler. Curto escutar músicas evangélicas. E nas horas vagas o "playstationzinho" sempre. É normal de jogador. Quando meu filho está do lado a gente brinca bastante pra passar o tempo.

 


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