Entrevistas
Heliton lamenta atual situação remista
O atacante Heliton, de 21 anos, desde os 16 no Baenão, fez os azulinos se orgulharem no começo do ano. Endiabrado, passava pelas defesas com dribles curtos e abusando da velocidade. Chegou a disputar a artilharia do Campeonato Paraense e era peça fundamental do esquema de Sinomar Naves. A diretoria do Remo se animou e logo ofereceu um novo contrato ao garoto, reajustando sua multa rescisória.

Com a perda do 1º turno e a chegada de Giba, o baixinho Heliton foi sacado do time. Perdeu confiança e espaço e pouco jogou até o final. Hoje, seu nome aparece como possível reforço do Atlético-GO, da primeira divisão, por empréstimo. O "menino de ouro" do Baenão, como era chamado por torcedores, disse ter sido perseguido pela torcida em parte do Parazão. É mais uma promessa que pode ir embora sem ter, de fato, desabrochado no futebol paraense.

Você começou o ano como uma das grandes revelações, chegou a disputar a artilharia do Campeonato Paraense enquanto o Remo era o líder da competição. Imaginava que nove meses depois a situação do clube seria esta?
Não, não imaginava. Imaginava o time campeão, chegando bem na Série D. Isso foi duro de entender, difícil. É ralado.

O que você acha que interrompeu a boa fase do time?
Nosso time vinha bem. Mas aí perdeu o campeonato e o pessoal ficou triste, a torcida passou a cobrar. Parecia que ninguém mais prestava. A torcida pegou no pé. Isso acabou atrapalhando. Aí chegou o Giba, né? Eu não tive oportunidade de jogar com ele. Acabou atrapalhando. Até porque o cara quebra uma sequência de jogos e acaba prejudicando. Tem tudo isso. Não fomos campeões, a torcida pegou no pé e isso atrapalhou.

Você tinha uma boa relação com o treinador?
Boa relação com ele eu não tinha, mas era uma relação normal. Não tenho nada contra ele. Cada treinador tem uma opinião e sempre vai ser assim no futebol. Temos que estar bem, procurar ajudar no que precisar. Não tenho nada contra ele.

Você acredita que a turbulência política que o clube vive interferiu no rendimento da equipe?
Acho que não, até porque... Faltaram algumas coisas. Mas acho que a política não interferiu dentro de campo.

O time do Remo era limitado?
Não. A gente tinha muitos caras bons, o Gian... Faltou foi encaixar. Acho que foi mal... Os jogadores não foram escalados nos locais certos, sei lá. Alguns atuavam improvisados. Mas o time era bom, faltou mesmo acertar a equipe. O time tinha Vélber, Gian, os caras jogam "pra" caramba. Já jogaram em times grandes. Faltou alguma coisa para o Remo.

Para você, que veio da base, a eliminação foi muito sofrida?
É muito ruim ver o clube assim. Depois que acaba um jogo desse acaba tudo. O cara tem um monte de planos, sabe? E nunca pensa que vai acontecer o que houve. Depois é que a gente vê. Depois nos vimos numa situação que eu nunca imaginei. Chegar num vestiário e ninguém falar nada. É triste, né? Todo mundo depende disso. E agora o clube fica em uma situação dessas, sem jogar. Tudo começa a atrasar. (suspira)

A torcida cobrava muito nas ruas ou nos treinamentos?
Nessa fase final não fui cobrado, não estava jogando sempre. Mas no começo do segundo turno do campeonato, os caras não pouparam, pegaram no meu pé. Principalmente contra o Ananindeua e o Cametá. Eu não podia pegar na bola que era vaia, cobrança. Mas faz parte, né? O torcedor quer que todo mundo jogue muito, que o time ganhe e a gente tem que trabalhar para estar na melhor forma, estar bem e não passar por isso.

Seu nome vem sendo especulado como reforço para o Atlético-GO. Esperava pular da Série D para a Série A de repente?
Para falar a verdade não chegou nada para mim agora, chegou para a diretoria do Remo. Eles estão resolvendo, mas não me passaram nada. Fico feliz de saber desse interesse. Jogar a Série A é a maior vitrine. O time não está muito bem no campeonato, mas dá projeção, jogaria contra os grandes times do Brasil. E, se for bem, abre portas, né? Para nós aqui do Norte isso nos deixa muito feliz. Espero que se concretize. Mas realmente não tem nada certo.
 


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