Entrevistas
Juliano César - O Matador do Norte

Nascido no município de Guajará-Mirim, no interior de Rondônia, o atacante iniciou no futebol em 1997, quando defendeu as cores do Cruzeiro. “A experiência foi boa, apesar de naquela época ter jogado como amador e fiz um bom campeonato”, afirma.

Em quatro jogos pelo Cruzeiro, Juliano César balançou as redes por três oportunidades já demonstrando seu faro de artilheiro.

A nova casa

Em 1998, o jogador se transferiu do Cruzeiro para o Genus, onde pôde mostrar seu trabalho dentro de campo e conquistar seu espaço no estado. “Foram quatro anos de amor com a camisa do Genus e tive a oportunidade de ser artilheiro do Campeonato Rondoniense e aparecer no cenário da região norte”, revela.

Juliano César revela que o trabalho realizado na equipe Grená da Capital rendeu frutos e assim o jogador pôde se tornar conhecido. “Hoje devo tudo ao Genus, que me ajudou bastante e hoje sou um nome bem conhecido no norte”, desabafa.

O Matador

Após ter conquistado a artilharia do Campeonato Rondoniense em 2001 e 2002, o jogador começou a mostrar sua qualidade também no Amazonas e principalmente no estado do Acre. “Tive essa oportunidade com muito empenho e trabalho. Eu me orgulho muito de ter participado em três campeonatos aqui no norte e em todos eles fui bem e ter a oportunidade de ter sido artilheiro nesses três”, declara.

Em 2003, Juliano César saiu do estado de Rondônia e se aventurou no estado do Amazonas para defender as cores do Rio Negro.

Através do volante Zé Marco, filho de Rondônia, o jogador foi indicado para o Galo. “O Zé Marco deu uma dica lá em Manaus que na época ele jogava no Rio Negro e me convidou a ir para lá. Lá também conheci o Cavalo, que me ajudou bastante e pude desenvolver bem meu futebol, fazer um bom trabalho e sair como artilheiro do campeonato amazonense”, diz.

A Chegada a Rio Branco

Após a bela campanha pelo Rio Negro-AM, o jogador chamou a atenção do Rio Branco-AC. “O Natal Xavier, que hoje é presidente do Rio Branco, me procurou, fez o convite para ir ao Rio Branco e eu aceitei. E fiz um bom trabalho no primeiro ano que fui, aí me convidaram outra vez para ficar lá e acabei aceitando. Aí foram cinco anos de amores com o Rio Branco e o trabalho foi bem desenvolvido”, afirma.

Em cinco anos vestindo a camisa do Rio Branco, Juliano César foi cinco vezes artilheiro do Campeonato Acreano, demonstrando seu faro de gol e ficando na história do Estrelão. “E hoje que abriram as portas para mim do mercado não só aqui do norte, mas também para fora”, diz.

Campeão no Interior

Em 2005, Juliano César foi emprestado pelo Rio Branco para atuar no Grêmio Coariense. À convite do técnico João Carlos Cavalo, o jogador foi ao pequeno município de Coari, onde novamente acabou brilhando. “Fui bem recebido lá e junto com ele conquistei um título inédito para o Grêmio Coariense que foi o único time do interior a conquistar o título. Foi um passo muito importante na minha carreira”, revela.

A lamentação

Uma das grandes tristezas do atacante Juliano César foi não ter aproveitado as chances que apareceram para se destacar fora da região norte. O longo contrato com o Rio Branco e a multa rescisória impedia que o jogador fosse contratado por outra equipe.

O jogador chegou a receber propostas do Remo, Brasiliense e outros clubes do futebol nacional, mas revela que o Rio Branco chegou a ser um atraso em sua carreira. “Por um lado acho que é verdade, na época em que assinei contrato com o Rio Branco ficou bem claro que se aparecessem as oportunidades eles disseram para mim que não iriam impedir nada. Mas foi diferente, eles prenderam muito ali e exigiam muita coisa e com isso prejudicou muito minha carreira. Tive vários convites de grandes equipes na época em que estava no auge e fazendo um bom campeonato e perdi a chance de ir para fora. E encerrando meu contrato agora, estou tentando a chance de atuar fora da região norte”, desabafa.

Salários atrasados

O desejo de todo jogador de futebol é poder atuar e ter seus salários pagos rigorosamente em dia. Mas no ano passado, Juliano César não teve uma experiência agradável dentro de campo. “Tive um bom primeiro semestre lá no Rio Branco e fui para a Ulbra. Fiz um bom trabalho e depois fui convidado pelo pessoal do Moto para participar da Segundona. Claro que eles me prometeram uma coisa, mas não cumpriram. Isso é passado já, não guardo mágoa. A gente sabe das condições dos clubes principalmente aqui em Porto Velho e não tenho mágoa do Moto”, disse.

O jogador aconselha a diretoria do Moto: “espero que eles revejam seu conceito e que eles não façam isso com nenhum jogador”.

Melhor companheiro

Esta era uma escolha difícil, mas Juliano César acabou revelando qual foi até o momento seu melhor parceiro de ataque ao longo de sua carreira. “Acho que o último foi com quem eu me dei bem: o Marcelo Brás. De todos acho que foi o melhor que tive até agora, um grande jogador dentro como fora de campo. Um grande amigo também e espero em outras oportunidades poder jogar com ele de novo”, afirma.

Euforia acreana

O ano de 2007 será inesquecível para o atacante Juliano César. A população acreana fez um pacto com o Rio Branco e empurrou o clube até a terceira fase. O “Mar Vermelho” empolgou a jogadores, comissão técnica e diretoria. “De todos os anos que tive no Rio Branco, acho que foi o ano de glória, que a equipe fez um supertime. Fez uma boa campanha na Série C, é claro que não conseguimos nosso objetivo que era o Octogonal e conseguir o acesso a Série B, mas fico grato”, diz.

A única tristeza do artilheiro foi não ter balançado tanto as redes como poderia “Não estava numa fase boa de gols, poderia ter ido até mais longe com o Rio Branco, mas acho que a equipe foi bem. O grupo todo está de parabéns, se empenharam ao máximo, mas na última partida nada deu certo, mas são coisas do futebol e é levantar a cabeça e bola para frente”, desabafa.

Melhor desempenho

Um dos momentos que Juliano César considera o melhor de sua carreira ocorreu nos quatro anos em que vestiu a camisa do Genus. “Eles sempre me apoiavam, é claro que não tinha um salário digno, mas com certeza foi no Genus que tive minha melhor fase e as melhores atuações”, revela.

Estrelão no coração

Juliano César não esconde a alegria de ter defendido o Rio Branco por vários anos. “Foi uma equipe que sempre honrou seus compromissos em dia. Não tenho nada a reclamar do Rio Branco, foi um clube que me projetou principalmente no cenário do Norte. No Rio Branco conquistei várias coisas, consegui vários objetivos, é claro que não foram todos. Do fundo do meu coração não guardo nenhuma mágoa do Rio Branco e espero um dia voltar”, declara.

“Quero um título em Rondônia”

Juliano César possui uma carreira vitoriosa, cheia de títulos, mas um título não faz parte de sua galeria: o de campeão rondoniense. “Já joguei bons campeonatos e aqui em Rondônia, onde nasci fui criado e joguei várias vezes, consegui ser vice-campeão, mas nunca o título. Espero poder voltar numa grande equipe aqui de Rondônia e quem sabe conquistar esse título que é o que falta na minha carreira”, afirma.

Capital sem título

Para Juliano César, o futebol de Porto Velho ainda tem muito a aprender com o interior do estado e explica o motivo: “acho que os clubes de Porto Velho precisam de mais apoio, sabemos da precariedade do futebol da capital, espero que nossos dirigentes e empresários revejam os conceitos e ajude”.

O jogador revela que qualidade existe na capital, o que faltam são pessoas que acreditem no jovem porto-velhense. “Em Porto Velho tem grandes valores no futebol e ninguém apóia esses jogadores, que é muito difícil. Mas acreditem neles e espero que daqui para frente as pessoas possam olhar isso com carinho e quem sabe ajudar esses clubes a chegar onde os clubes do interior chegaram, investindo e com uma boa estrutura”, desabafa.

O Nome

O nome Juliano César hoje é respeitado em todo canto do país. Ao longo de sua carreira, o bom desempenho do atacante fez com que ele fosse temido por zagueiros adversários. “Isso para mim é um orgulho. A gente sabe do nosso empenho, com muito trabalho que a gente conseguiu isso e por onde passei sempre fui bem visto, disciplinado e sempre fiz um bom trabalho. Só tenho a agradecer a todos e também a imprensa que ajuda a divulgar isso”, declara.

Ficha do jogador:
Nome: Juliano César da Conceição Silva;
Apelido: Juliano César;
Data de Nascimento: 16 de outubro de 1977;
Cidade Natal: Guajará-Mirim (RO);
Clubes: Cruzeiro-RO, Genus-RO, Grêmio Coariense-AM, Ji-Paraná-RO, Moto Clube-RO, Nacional-AM, Rio Branco-AC, Rio Negro-AM e Ulbra-RO;
Títulos: 5 títulos do Campeonato Acreano (2003, 2004, 2005, 2006 e 2007) e um título do Campeonato Amazonense (2005).

 


© Copyright 2004 - 2019 / Todos os direitos reservados ao Futebol do Norte