Colunistas
Justo ou injusto?
por Manoel Façanha

O sistema de disputa do Campeonato Acreano-2021, aprovado durante a semana pelos dirigentes de clubes durante assembleia geral na Federação de Futebol do Acre (FFAC), ao meu entender e não querendo ser o dono da verdade, me parece benéfico aos três grandes clubes da atualidade do futebol acreano: Galvez, Atlético e Rio Branco.

A proposta de pontos corridos, com a participação de nove equipes no primeiro turno e apenas quatro no returno, apresentada pelo Rio Branco (presidente Valdemar Neto), contou com ampla maioria dos votos dos dirigentes de clubes presentes, exceto dos dirigentes de Vasco da Gama e Náuas. O primeiro clube apresentou uma proposta um pouco diferente da vencedora, mas perdeu em votação, e o segundo, preferiu se abster do processo, mas reconheceu que a proposta do Rio Branco não traria proveito a sua agremiação.

Eu, particularmente, sou adepto de competições que ocorram semifinais e finais de turno – apesar de reconhecer que em grandes torneios esse sistema de pontos corridos seja mais justo (38 rodadas). Eu acredito que esse critério, acredito eu, seja importante para sobrar espaço para o surgimento de alguma grata surpresa no transcorrer da competição e também para elevar o equilíbrio da disputa, isso sem falar do lado emocional. Vejo que neste sistema, a cada jogo, sobra mais emoção, não somente para o torcedor, mas aos atletas, comissões-técnicas e dirigentes… Neste sistema de disputa entendo eu que, um tropeço de um grande, significa a possibilidade de um pequeno entrar na briga pelo título do turno (se vencer o primeiro, por exemplo, já carimba vaga na Copa do Brasil-2022 e coloca mão na tão sonhada cota “milionária” de participação no torneio nacional). No sistema de pontos corridos, a partir da quarta ou quinta derrota do turno em disputa, as equipes consideradas “pequenas” perdem totalmente a sua motivação pela competição e passam a cumprir apenas tabela, principalmente quando não ocorre o chamado descenso de divisões.

Vejo ainda que, o grande pecado desta fórmula de disputa, com a realização de semifinais e finais, está apenas na desistência de um dos clubes participantes, após suas chaves estarem devidamente definidas e observando os critérios técnicos da temporada anterior. E, foi justamente o que ocorreu, neste ano, quando o Independência, de última hora, alegou problemas financeiros e jogou a toalha para se juntar aos quase desaparecidos Juventus, Adesg e Alto Acre… Com o Tricolor do Marinho Monte fora da competição, após a conquista da quarta colocação na temporada de 2019, não se pôde fazer nada e o jeito foi mesmo realizar a competição com uma das chaves apresentando número de participantes inferior a outra, algo que foi maléfico para o torneio se olharmos do ponto de vista técnico e de justiça, principalmente para Rio Branco, Atlético e Plácido de Castro, três forças que ficaram inseridas na chave com o maior número de representantes, cinco.

Então era isso, o próximo Campeonato Acreano começa a partir de março com três clubes favoritos: Galvez, Atlético e Rio Branco. Justificou isso pelos seguintes motivos: os dois primeiros terão verba a receber de cota da Copa do Brasil e com retrospectos positivos nas últimas temporadas dentro do futebol local, e o terceiro, clube secular, tradicional, vitorioso, que busca se reerguer na administração do presidente Valdemar Neto, para fazer novamente o seu torcedor sorrir e sentir orgulho do manto vermelho e branco.

 


© Copyright 2004 - 2021 / Todos os direitos reservados ao Futebol do Norte