Colunistas
Meio esquecido
por Francisco Dandão



A prisão do Ronaldinho Gaúcho, no Paraguai, há alguns meses, por entrar no país com documentos falsos, causou um grande estardalhaço na mídia planetária. Pelo inusitado do fato, a exposição midiática era mais do que explicada. Afinal, se tratava de um ídolo esportivo da maior grandeza.

Durante alguns dias, os noticiários de vários países se encarregaram de acompanhar a saga do ex-futebolista. Foram dedicadas páginas e horas a perder de vista para ele e o irmão, Assis, sendo conduzidos pra lá e pra cá, de uma audiência a outra e, finalmente, para uma prisão na capital paraguaia.

A rotina do Ronaldinho naquele momento virou manchete. Desde a expressão dele, com a boca semiaberta e os olhos perdidos num horizonte imaginário, até a sua ida para o xilindró. Inclusive uma pelada entre detentos, com a participação do referido, causou estardalhaço e entrou nas pautas.

Pra variar, a propósito da primeira pelada (foram várias), só faltou transmissão ao vivo. E as narrativas posteriores deram conta de que ele foi disputadíssimo pelos donos de cada time. Não há registro de como foi que ele escolheu qual time defender. Mas deve ter sido por uma boa quantia!

Eis que, então, sobreveio essa porcaria desse vírus amaldiçoado que ora flagela a humanidade, ceivando milhares de vida em todos os países, e o Ronaldinho perdeu o espaço que tinha na mídia. Ficou meio esquecido. Praticamente não mais se falou do dentuço genial com uma bola nos pés.

Agora, depois desse período de esquecimento, pequenas notas na internet contam que Ronaldinho está prestes a ser autorizado a deixar o país de Solano López. Acredita-se que o caso dele (e do irmão) aproxima-se de um desfecho. A especulação é a de que ele volte pra casa ainda em agosto.

Por falar em López, existe uma versão de que houve um pitaco do tal ditador nessa desventura do Ronaldinho. Segundo essa versão, a prisão do brasileiro seria em represália ao genocídio perpetrado pelo Brasil e parceiros (Argentina e Uruguai) aos paraguaios naquela guerra do século XIX.

Mas, voltando ao fio da meada, o que se diz na rede é que o Ronaldinho, que agora cumpre prisão domiciliar, logo deve mesmo “pegar o beco”. “Pegar o beco” e, se for esperto, nunca mais passar nem em Foz do Iguaçu, que faz fronteira com o país dos caudilhos “defensores del chaco”.

Uma vez solto, dizem as especulações, Ronaldinho vai direto visitar a família em Porto Alegre. Visita rápida, só para mostrar que a sua peculiar dentadura continua intacta. Depois voa para Barcelona. E depois da pandemia, ele volta às manchetes. Mas que seja por boas causas, faz favor!

 


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