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Mais títulos, menos títulos
por Francisco Dandão



Por esses dias, dando uma olhada nos meus arquivos, uma curiosidade histórica e pouco explicada ficou piscando à frente das minhas retinas: a do baixíssimo número de títulos de campeão acreano do Atlético, o glorioso Galo Azul do Segundo Distrito de Rio Branco, fundado no ano de 1952.

É que em 68 anos de história, o Atlético, apesar de todos os esforços, dos seus dirigentes, que em determinados momentos montaram verdadeiros esquadrões, com jogadores “importados” a perder de vista, só foi campeão em nove vezes: 1952, 1953, 1962, 1968, 1987, 1991, 2016, 2017 e 2019.

Dois títulos menos que o Independência, o famoso Tricolor de Aço, que em determinados períodos da sua história também montou equipes espetaculares e que levantou o caneco de campeão, portanto, em onze vezes: 1954, 1958, 1959, 1963, 1970, 1972, 1974, 1985, 1988, 1993 e 1998.

E cinco títulos a menos que o Juventus, que existiu durante um tempo bem menor (talvez nunca mais volte a campo), desde a sua fundação em 1966, e que levou o troféu pra sua sede em 14 oportunidades: 1966, 1969, 1975, 1976, 1978, 1980, 1981, 1982, 1984, 1989, 1990, 1995, 1996 e 2009.

Nesse universo de títulos conquistados, o Rio Branco é um capítulo à parte. O Estrelão, que foi fundado na segunda década do século XX, embora hoje ande com a lama no pescoço, é o maior vencedor de campeonatos acreanos. Se a minha contagem estiver certa, são 46 os títulos do alvirrubro.

Mas voltando ao fio da meada desse papo aranha de hoje, o que me interessa (e intriga), para além dos títulos de Independência, Juventus e Rio Branco, é o quanto o Atlético morreu tantas vezes na praia, depois de atravessar um oceano de pernas e dificuldades impostas pelos seus inimigos.

Eu lembro, inclusive, que na segunda metade da década de 1970, doido por quebrar um jejum de títulos que já durava vários anos, os dirigentes do Atlético foram ao Rio de Janeiro e trouxeram um monte de boleiros de futebol pra lá de refinado, caras que tratavam a bola com o maior carinho.

Nessa leva de boleiros cariocas vieram craques como os zagueiros Pitico e Paulão, o meia Guedes e os atacantes Nirval e Bené. E a estes, se juntaram o que havia de melhor em termos locais, como o goleiro Zé Augusto, o volante Tadeu, o meia Dadão e o atacante Manoelzinho. Só isso!

Então, por que o Atlético não dava liga? Eu confesso que não tenho uma resposta definitiva. O que eu sei é que o falecido presidente atleticano Zé Humberto costumava atribuir o “azar” a um débito que o clube tinha com um antigo macumbeiro. Os detalhes dessa história eu conto num outro dia.

 

 


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