Colunistas
Réquiem para Nino
por Francisco Dandão



Fui surpreendido no meio da noite de segunda-feira com a notícia do falecimento do meu bom e querido amigo José Aparecido Pereira dos Santos, o popular Nino, professor do curso de Educação Física da Universidade Federal do Acre (Ufac) e ex-atacante artilheiro do Rio Branco e do Juventus.

A notícia me pegou de surpresa porque eu não tinha nenhuma informação de que ele se encontrava com alguma enfermidade. Ao contrário disso, o que eu sabia é que ele se encontrava em plena atividade docente na Ufac. E no dia anterior ele me mandara várias mensagens pelo WhatsApp.

Ele mantinha a nossa proximidade dessa forma, disparando mensagens pelo aplicativo do celular. Mensagens jocosas, na maioria das vezes esculachando o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ex-presidiário Luís Inácio Lula etc. Ou então mensagens de exaltação ao capitão presidente.

Divergíamos ideologicamente, mas isso de jeito nenhum afetava a nossa amizade. No mais das vezes, quando nos encontrávamos, a conversa acabava em sonoras gargalhadas. Falávamos de todo mundo. Principalmente dos amigos mais próximos. Quanto aos inimigos, esses não nos importavam.

A última vez que nos encontramos foi em 2018, num jogo de futsal organizado pelo Auzemir. Como sempre, as reminiscências tomaram conta da conversa. O Manoel Façanha estava presente. Rimos muito quando eu lembrei que ele, Nino, várias vezes confundiu um radar com um termômetro.

Esse tal radar ficava ali na rodovia que vai para o campus universitário, bem em frente à Faculdade da Amazônia Ocidental (FAAO). De manhãzinha o Nino passava e o medidor de velocidade estampava o número 60. Meio dia, ao voltar pra casa, com mais trânsito, o marcador dava no máximo 40.

Com essa disparidade (mais quente pela manhã), o Nino raciocinou: “Esse termômetro só pode estar quebrado” (isso ele me confessou depois). Aí chegou o fim do mês e as muitas multas por excesso de velocidade bateram à casa do Nino. Só aí ele descobriu que se tratava de um radar.

Esse era o Nino, paulista da pequena cidade de Santo Expedito, que ainda menino (aos 14 anos), em 1969, chamou a atenção do Corinthians de Presidente Prudente. E daí para o Guarani de Campinas foi só questão de tempo. E depois, para o paranaense Londrina foi apenas mais um passo.

A vinda para o Acre deu-se em 1979, para comandar o ataque do Rio Branco no Copão da Amazônia. Já formado em Educação Física, Nino só jogou quatro anos no futebol acreano (Juventus em 1980, 1981 e 1982). Depois foi ser técnico e professor universitário. Réquiem aeternam para ele!

 


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