Colunistas
Fuzarca
por Francisco Dandão



A edição nº 9 da publicação Futebol Acreano em Revista, de iniciativa da Federação de Futebol do Acre (FFAC), já está em circulação desde meados do mês de dezembro. Desde 2011 que a Federação publica a referida revista. E eu tenho a satisfação de ter participado de quase todas as edições.

Digo “quase” porque no primeiro número, dedicado mais especificamente a contar de forma cronológica a história do futebol no Acre, desde os tempos mais remotos até a primeira década do Século XXI, eu só dei alguns “pitacos”. Depois disso, me engajei de forma visceral no projeto.

E assim, por conta desse engajamento, ao longo desses anos tenho tido a oportunidade de conversar/entrevistar criaturas das mais interessantes. Algumas já de avançada idade, praticamente esquecidas como protagonistas do futebol acreano, como foi o caso do ex-técnico e ex-jogador Fuzarca.

Aos 91 anos (ele nasceu no dia 21 de janeiro de 1928), Fuzarca, cujo nome próprio é Elden Guedes de Paiva e Mello, foi um dos três primeiros professores de Educação Física do Acre (os outros dois foram Walter Félix e Valdé), isso no início da década de 1950, literalmente o “tempo do tuba”.

Pois quem vê o Fuzarca todas as tardes sentado numa cadeira de balanço, na frente da sua residência, nem de longe imagina a importância dele para o desenvolvimento do futebol acreano. Antes dele (e dos outros dois citados), o futebol do Acre não tinha nenhuma organização tática.

“Nós tínhamos jogadores de ótima técnica por aqui. Mas todos jogavam só por intuição. Uns, principalmente aqueles de físico mais avantajado, se posicionavam como defensores, e aqueles mais habilidosos iam jogar no ataque. E aí cada um fazia o que bem entendia”, disse Fuzarca.

“Só quando eu, o Té [Walter Félix] e o Valdé voltamos do Rio de Janeiro, onde fomos cursar Educação Física, no início da década de 1950, é que os times acreanos começaram a ter alguma organização tática. Mas deu um trabalho danado para a turma nos compreender”, explicou o ex-treinador.

Fuzarca treinou três times acreanos durante 31 anos (de 1952 a 1983): o Atlético, o Vasco da Gama e o Independência. Mas ganhou somente dois títulos, ambos com o Atlético, em 1952 e 1962. Parou aos 55 anos. Disse que ficou sem tempo para o futebol porque entendeu que deveria cursar Direito.

Conversar com o Fuzarca é um prazer. Ele tem histórias de todos os tipos, gloriosas ou não. E fala divertido dos seus temores. Diz, por exemplo, que se escondia quando enfrentava um “beque” chamado Bararu. “O cara era um carniceiro. Batia demais. Eu jogava bem longe dele”, disse gargalhando.

 


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