Colunistas
Extremos
por Francisco Dandão



O futebol vive de extremos. Não raro, o sorriso de felicidade nos lábios de alguns representa, em sentido diametralmente oposto, o choro de decepção e angústia nos rostos de outros. Esse domingo recente demonstrou muito bem isso, com o rebaixamento do Cruzeiro e a permanência do Ceará.

Nas montanhas de Minas Gerais, os cruzeirenses amargaram uma derrota que remeteu o seu time do coração para a segunda divisão do campeonato brasileiro. O Cruzeiro, com um elenco recheado de estrelas, passou toda a competição batendo com a cabeça na parede da incompetência.

No papel, o time era bom. E já havia provado isso em anos ligeiramente anteriores, ganhando tudo. De repente, não mais do que de repente, assim do nada, os caras desandaram a perder de todo mundo. Mais ou menos como se tivessem desaprendido (ou esquecido) de jogar bola.

Enquanto isso, no litoral nordestino, uma multidão de “cabeças chatas” suspirava o seu alívio. O Ceará, tradicionalíssimo time do estado do mesmo nome, empatava com o glorioso Botafogo, no Engenhão, e sacramentava a sua participação na elite do futebol brasileiro. Por um fio!

Mas os extremos no futebol não se limitam à questão da alegria e da tristeza que dependem do desempenho em campo. Existe uma outra situação que reflete bem a altura do céu e a profundeza do abismo. Falo do valor das transferências e dos contratos, alguns estratosféricos, outros ridículos.

A transferência do Neymar, quando ele saiu do Barcelona para o Paris Saint Germain, é um exemplo. De acordo com o que saiu na mídia, o clube francês gastou quase 300 milhões de dólares para tirar o brasileiro dos espanhóis. Uma fábula de dinheiro passeando pelos extratos bancários.

Em contrapartida, existe uma história do início da década de 1990 que dá conta de que o então volante Beto, jogador do mato-grossense Dom Bosco, foi comprado pelo Botafogo carioca por apenas 50 pares de chuteiras. Beto depois se valorizou, mas a história entrou para os registros do futebol.

E no que diz respeito a contratos, enquanto o Gabriel Barbosa, o Gabigol (só a título também de exemplo), artilheiro do campeonato brasileiro, tem o direito de pedir o que quiser para assinar com o seu próximo clube, tem neguinho se oferecendo para jogar quase de graça por aí.

Tudo depende de muita coisa. Alguns dizem que é questão de destino, outros dizem que é questão de uma boa condução da carreira. Tem muito garoto promissor que passa a vida amassando barro, sem sair do lugar. Outros, menos craques, sobem como foguetes. O futebol é feito de extremos!

 


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