Colunistas
Liverpool
por Francisco Dandão



A última vez que um time brasileiro sagrou-se campeão mundial foi em 2012, naquela final em que o Corinthians venceu o inglês Chelsea, com gol do peruano Paolo Guerrero. Gol de cabeça. Se fosse um time argentino, eles diriam que aquela foi a cabeça do próprio Deus. Eles são assim mesmo.

De 2012 pra cá, todos os campeões mundiais foram times europeus. Em 2013 deu o alemão Bayern Munchen, em 2014 deu o espanhol Real Madrid, em 2015 deu o também espanhol Barcelona, e em 2016, 2017 e 2018 deu sempre Real Madrid. Domínio total e absoluto do hemisfério norte.

E mais do que isso, um detalhe chama a atenção: na metade dessas edições, um time da América do Sul não conseguiu sequer chegar à disputa da finalíssima. Em 2018, 2016 e 2013, quem chegou à final foram times dos Emirados Árabes (Al Ain), Japão (Kashima) e Marrocos (Raja Casablanca).

Agora, mais uma vez, como era de praxe alguns anos atrás, a finalíssima pode ser entre um time da Europa e um time sul-americano. O inglês Liverpool de um lado e o brasileiro Flamengo do outro. Mas isso, é claro, se ambos passarem pelos seus adversários das semifinais. Só assim.

O Liverpool já disputou a finalíssima três vezes. Em duas delas foi derrotado por times brasileiros. Esse mesmo Flamengo bateu os súditos da rainha em 1981. E o São Paulo se encarregou de manda-los de volta para as névoas do Reino Unido em 1984. Dizem que o Brexit começou naquele dia.

Pra falar a verdade, Liverpool, apesar dos bons resultados dos últimos tempos, ainda não pode ser reconhecida como uma das capitais do futebol mundial. Antes de se pensar em futebol, quase todo mundo liga a cidade inglesa à música. Foi de lá que os Beatles saíram para conquistar o mundo.

Este ano, com o senegalês Mané, o brasileiro Firmino e o egípcio Salah, há quem diga que o time está jogando como uma orquestra. Mas essa metáfora com a orquestra pode ser duvidosa. É que quando uma orquestra não está bem ensaiada, alguns acordes podem, sim, soar dissonantes.

E mesmo que eles toquem realmente com maestria, não custa lembrar que o Flamengo também tem jogado por música, sob a batuta de um fidalgo português com nome de divindades. Jorge Jesus: a mistura de um santo guerreiro com o próprio filho do Homem. Boas e grandes possibilidades!

Enfim, com o campeonato brasileiro definido (campeão, classificados para a Libertadores e rebaixados), as atenções se voltam para o Mundial. Se eu tenho um palpite sobre o vencedor? Não, não tenho. Mas se eu pudesse escolher, certamente ia preferir que o tema da vitória fosse um samba enredo!

 


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