Colunistas
Zona da confusão
por Francisco Dandão



Desde que foi disputado pela primeira vez, lá pelo ano de mil novecentos e lá vai pedrada, o campeonato brasileiro mudou de formato em várias oportunidades. Igualmente, o número de times de cada edição mudou ano após ano, de acordo com a conveniência dos dirigentes de cada época.

A competição, lá pelas tantas, “inchou” a tal ponto que chegou a ser disputada por 94 times. Havia jogo quase todo dia, com times absolutamente sem expressão, desde o “Jerebinha” dos “Confins do Judas” até o “Me abraça pra eu não cair”, de algum lugar mais distante do que esse citado aí atrás.

Naquele tempo, salve engano no ano de 1979, a justificativa para tanta gente disputando um torneio de “elite” do futebol brasileiro era o apadrinhamento político. É que o partido dos generais, querendo ser simpático com o povão, determinava mais um e mais outro time no game.

A frase que se popularizou, inclusive, por aqueles dias, foi: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”. A Arena era o partido político sobre as asas do qual se aninhavam os militares que ditavam as regras no país. Era a época do “ame-o ou deixe-o”. Ou então do “ficar quieto para não sumir”.

Eis então que os generais resolveram deixar o poder, num momento em que ninguém mais acreditava no propalado “milagre econômico” do deus Delfim, e tudo mudou. Tudo, inclusive as regras do campeonato brasileiro que, depois de algum tempo, passou a ser disputado por “apenas” vinte times.

Vinte times na Série A, vinte times na Série B, vinte times na Série C. E, para que ninguém ache que tem direitos absolutos, a cada edição do campeonato, em cada uma dessas séries, quatro times descem para o degrau ligeiramente inferior. Desses últimos se diz que estão na “zona da confusão”.

A zona da confusão do campeonato brasileiro da Série A deste ano de 2019, faltando duas rodadas para o final da competição, é formada (em ordem de baixo para cima) por Avaí (lanterna e já rebaixado), Chapecoense (vice lanterna e já rebaixado), CSA (já rebaixado) e Cruzeiro (nos estertores).

Os três primeiros citados no parágrafo anterior fazem parte daqueles chamados “times ioiô”: sobem e descem com relativa (ou absoluta) frequência. Vivem envolvidos em algum projeto de renascimento. Se fossem figuras da mitologia, seriam uma “fênix”. Asas num dia, cinzas no outro.

A surpresa, nessa edição, fica por conta do Cruzeiro. Time grande, que jamais havia caído para a segunda divisão, o Cruzeiro respira por aparelhos. Frequenta a “zona da confusão” (ou as suas imediações) há várias rodadas. Só escapa da degola se o Ceará permitir. Vai ter que se purificar no inferno!

 


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