Colunistas
Master de Xapuri
por Francisco Dandão



Tenho acompanhado, nessa minha atual passagem por Rio Branco, o Campeonato Acreano de Masters 50, coordenado pelo amigo Ulisses Torres. É uma oportunidade rara para ver em ação antigos craques do futebol local, a maioria fora de forma física, mas ainda com lampejos de muito boa técnica.

Não existe a obrigação das equipes de apresentarem nos seus elencos os ex-jogadores do futebol acreano. Ainda assim, todos os que podem seguem por esse caminho. Dessa forma é que um dia desses estavam em campo ex-boleiros do porte do Mariceudo, do Renísio e do Paulinho Rosas.

O Mariceudo, quem acompanhou o futebol da aldeia na década de 1980 conhece bem. Filho do também jogador Cholada, Mariceudo herdou e multiplicou a categoria do pai. Era um meia com volúpia pelo ataque, driblava em velocidade e jogava sempre na vertical. Um cracaço mesmo!

O Renísio, por sua vez, que tanto jogava bola quanto ensaiava acordes musicais, tratava a “deusa” com a intimidade que só os grandes amantes ousam fazê-lo. Atuava como uma espécie de cérebro do meio de campo, organizando o jogo a partir da sua intermediária. Outro virtuose da bola!

Já o Paulinho Rosas, atacante pelos lados do campo, rápido, ágil e driblador, que brilhou com as camisas de todos os grandes clubes do Estado e chegou até a jogar uma temporada no futebol equatoriano, esse cansou de humilhar e levar à loucura os laterais que davam o azar de enfrenta-lo.

E fora esses citados, dentro do grupo de ex-jogadores, eu vi também o Baiche (jogava futsal), o Francisley (ex-Atlético e Rio Branco), o Aclaildo (ex-Independência), o Som (ex-Vasco e atual técnico do Humaitá), o César Limão (ex-Juventus), o Neném (ex-Vasco) e muitos outros, muitos...

Um ex-craque (há controvérsias quanto a esse adjetivo, mas vá lá que seja) eu não vi em ação. Justamente o vetusto zagueirão Joraí. Eu esperava vê-lo com a camisa do Xapuri, time da terra natal dele. Para minha surpresa, porém, no dia do jogo do citado time, o nome dele não apareceu na escalação.

Fiquei deveras preocupado e tratei de procurar saber os motivos pelos quais a referida criatura não constava na escalação do Xapuri – Master 50. Checa aqui, procura ali, investiga acolá, ninguém sabia de nada (ou estavam com medo de falar), eis que encontrei um pessoa que decifrou o mistério.

Quem me contou os motivos da ausência do Joraí no time do Xapuri foi o Toinho Martins. De acordo com o dito cujo, a inscrição do Joraí foi indeferida porque descobriram que ele é “gato”. Apresentou uma carteira de identidade com 52 anos, sendo que ele já passou dos 65. Tá explicado!

 


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