Colunistas
Mulheres, tudo de bom
por Francisco Dandão



Durante mais de 40 anos (de 1941 a 1983) as mulheres foram proibidas de jogar futebol no Brasil. A proibição foi criada num dos governos de Getúlio Vargas, numa época registrada na história do Brasil como Estado Novo. Uma ditadura caracterizada pelo nacionalismo e pelo anticomunismo.

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. Este é o trecho do decreto que estabelecia a proibição.

Não havia no texto da lei uma referência explícita ao futebol. Mas a proibição estava latente. Na cabeça dos legisladores da época, as mulheres foram feitas (ou criadas, tanto faz) para se vestir de rosa, dedicar-se às atividades do lar, fabricar bebês etc. Brincadeiras só mesmo com bonecas.

Do passar dos dias, porém, ninguém (ou nada) escapa. E então, felizmente, chegou o momento de as mulheres soltarem suas belas pernas num campo de futebol e mostrarem suas habilidades com uma bola nos pés, com uma bandeira nas mãos ou com um apito nos lábios pintados de batom.

As mulheres brasileiras perderam um tempo enorme por conta do decreto do ditador da década de 1940. Eu penso nisso e fico imaginando quanto mal a atitude do sujeito causou ao esporte brasileiro e quantas jogadoras de técnica apurada o Brasil deixou de ver surgir nesse período.

O ditador do nefasto decreto meteu uma bala o peito em 1954. Surgiram outros ditadores. Afinal, o poder é um incomparável afrodisíaco. Mas uns e outros, a essa altura, foram parar na lata do lixo da história. E as mulheres, essas agora desfilam sua graça em busca de infinitos gols.

Essas reflexões todas anteriores me ocorreram por conta da notícia que eu li nas redes da escalação de uma mulher para arbitrar a final da Série D, neste domingo, na Arena da Amazônia, entre os times profissionais masculinos do Manaus-AM e do Brusque-SC. Edina Batista é o nome dela.

Paranaense de Goioerê, pertencente ao quadro de árbitros da FIFA, Edina Batista é a primeira mulher a apitar uma final de Campeonato Brasileiro. Ela, que dirigiu a semifinal da Copa do Mundo de Futebol Feminino deste ano, na França, acrescenta mais esse feito ao seu currículo.

É isso, meus caros amigos. Embora tardiamente, as mulheres brasileiras chegaram para ficar no mundo do futebol nativo. Muitas já conseguem viver exclusivamente da prática desse esporte. Algumas até se tornaram cidadãs do planeta por conta disso. A rainha Marta que o diga!

 


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