Colunistas
Ascensão e queda
por Francisco Dandão



Vive-se um clima de euforia no futebol amazonense pela ascensão do Manaus à Série C do Campeonato Brasileiro. O referido time, depois de bater o baiano Jacuipense, sábado passado, por 1 a 0, na Arena da Amazônia, ganhou o direito de jogar a final da Série D contra o catarinense Brusque.

Fundado em maio de 2013, e apelidado Gavião do Norte, o Manaus é o time profissional mais jovem do Amazonas. Mais jovem e, talvez por isso mesmo, o que demonstra mais organização fora do campo. A sua passagem de série não é mera coincidência. O time é bom e o clube é organizado.

Na Série D deste ano, o time venceu nove e empatou três das 14 partidas jogadas até aqui. Só perdeu duas vezes, ambas jogando na casa dos adversários: 1 a 0 para o São Raimundo-PA, em Santarém, nas oitavas de final; e 1 a 0 para o Caxias, em Caxias do Sul, nas quartas de final.

Com as vitórias que o time vem acumulando desde a sua fundação já reúne um bom número de torcedores. Nesses últimos dias, a camisa verde não para nos varais improvisados dos camelôs, esparramados no centro da capital das amazonas. Todo mundo quer ter uma camisa do time da moda.

O resultado de tudo isso, entre outras coisas, são tardes de Arena da Amazônia cheia, tirando, de certa forma, a fama de elefante branco do belo estádio. A lógica é de uma transparência absoluta: a torcida comparece ao estádio quando o seu time tem a perspectiva de vencer. Simples assim.

Se o Manaus vai ser campeão brasileiro da Série D, isso a gente só vai saber depois dos 180 minutos. Mas ser campeão, eu diria, é uma espécie de bônus. O principal objetivo já foi cumprido. Em 2020 o time vai ter um calendário cheio e levar o nome do estado para todos os cantos do Brasil.

Enquanto isso, no vizinho Acre, o Atlético vive o seu inferno astral. Depois de subir para a Série C em 2017, e de fazer uma ótima campanha nesse patamar em 2018, o time alviceleste do 2º distrito de Rio Branco cai pelas tabelas. Venceu uma vez em 15 oportunidades. Já está rebaixado.

Em sentido diametralmente oposto ao que acontece em Manaus, mas de acordo com a mesma lógica de que o torcedor só se interessa pelo time que tem a perspectiva de vencer, o público abandonou os jogos do Atlético na Série C deste ano. Só algumas testemunhas é que ainda vão aos estádios.

Com a queda do Atlético, a região Norte perde a oportunidade de encorpar a sua representação na Série C do Campeonato Brasileiro de Futebol. Caso Remo e Paysandu não consigam subir para a Série B, seriam quatro os representantes do Norte. Mas isso não acontecerá. Lamentável!

 


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