Colunistas
Páginas Policiais
por Francisco Dandão



Já vai longe o tempo em que os grandes craques do futebol, tanto do Brasil quanto de outros lugares do mundo, eram vistos somente nas páginas dedicadas ao noticiário esportivo. Agora os caras costumam aparecer também nas colunas sociais e, pior de tudo, nas nefastas notas policiais.

Tudo isso porque a bola, de certa forma, virou um elemento secundário da vida dos referidos personagens. Se duvidar, as estrelas “futeboleiras” dos dias atuais passam mais tempo se produzindo para ir ao próximo evento festivo do que, necessariamente, em campo aprimorando a sua técnica.

É preciso manter o cabelo impecavelmente cortado e, naturalmente, mudar de corte toda a semana. É preciso manter os pés sem calosidades e as unhas cuidadosamente aparadas. É preciso exalar o último perfume saído dos laboratórios mais sofisticados. É preciso sair bem nas milhares de fotos...

Jogar bola? Sim, claro... Mas com moderação, que ninguém é de ferro. Uma jogadinha de efeito aqui outra ali, um passe de trivela olhando para o outro lado que não seja o da direção dada à bola, um driblezinho de vez em quando e, se possível, um golzinho por mês, e tudo fica de bom tamanho.

São reflexões que me ocorrem por conta de um jornal dessa terça-feira (30) que me caiu às mãos. São cinco as manchetes de capa: a prisão de um policial que matou um adolescente; a execução de um empresário; a exibição de uma funkeira seminua; e duas de futebolistas às voltas com a justiça.

O primeiro dos futebolistas é justamente Neymar. A manchete diz respeito à decisão da polícia de não indiciá-lo pela acusação de estupro contra aquela “modelo” que foi a Paris dar-lhe uns sarrafos para ele “deixar de ser besta”. Parece, felizmente, que ele vai se sair bem dessa confusão.

Para sorte de Neymar, a Maria Chuteira “perdeu” o celular com as “imagens comprobatórias” do vilipêndio alegado, foi representada por “advogados incompetentes” e foi atendida por policiais “comprados” (versões da dita). Paranoia e mitomania até o último fio de cabelo (lá dela)!

O outro futebolista da manchete policial da terça-feira que caiu nas minhas mãos é Ronaldinho Gaúcho. Segundo a matéria, o cara deve até o elástico da cueca. E quase todos os seus bens patrimoniais, por conta disso, encontram-se indisponíveis. Um gênio aprisionado dentro da própria garrafa.

Como eu disse lá no primeiro parágrafo, já vai longe o tempo em que os craques eram destaques apenas nas páginas esportivas. Oxalá, pelo menos, a bola lhes siga fiel enquanto eles permaneçam em campo (no caso só Neymar, que o Ronaldinho já pendurou as chuteiras). É isso. Ponto final.

 


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