Colunistas
Por um fio
por Francisco Dandão



Na crônica passada, antes do jogo contra o São José-RS, pelo Campeonato Brasileiro da Série C, levando em conta que as probabilidades estabeleciam 98.1% de chances do Atlético Acreano cair para a Série D, eu aconselhei o time a visitar o santuário de Nossa Senhora de Caravaggio.

É que o jogo do Atlético estava marcado para Porto Alegre e o santuário fica em Farroupilha. Meros 110 Km separam uma cidade da outra. Não custava nada dar um pulinho na cidade vizinha e pedir um milagre. Afinal de contas, como diz a canção, “a fé não costuma falhar”.

Provavelmente ninguém do Atlético deu ouvidos ao meu conselho. Veio o jogo e o Galo celeste levou três a zero no lombo. Perdeu fácil. Não chegou nem a engrossar o caldo contra os gaúchos. Subiu para sete o número de derrotas na competição. E a chance de cair aumentou para 98.9%.

Enquanto escrevo, me ocorre outra possibilidade. A de que algum representante do Atlético até foi a Farroupilha pedir um milagre a Nossa Senhora de Caravaggio, mas não teria tido sucesso porque do lado do adversário estava justamente São José. Aí os santos não quiseram se meter.

Independentemente de qualquer intervenção divina, porém, o certo é que o fio que prende o Atlético à Série C está a cada dia mais frágil. O buraco do Galo parece não ter fundo e a luz da lanterna vai ficando mais intensa a cada partida. Oito pontos ganhos em 13 rodadas são quase nada.

A coisa ficou de tal modo dramática que nem uma eventual vitória do Atlético no próximo sábado, contra o Remo, no Florestão, tira o time acreano dessa lanterna. É que quatro pontos separam o Atlético do vice lanterna, que é o Luverdense. O Galo é azul, mas a coisa tá ficando deveras preta.

Será que alguém ainda acredita que o Atlético pode sair dessa enrascada? Ou será que a melhor estratégia, a essa altura do campeonato, é fazer o que dá, se despedir com honra e começar a planejar o ano de 2020, quando tudo pode ser diferente, a partir da disputa de outra Série D?

Aí eu acho que depende do ponto de vista. Os otimistas certamente vão se apoiar na matemática, fazer contas, falar em esperança etc. e tal. Já o resto da galera, principalmente aqueles da turma do “quanto pior, melhor”, pra esses o Galo ficou tão magrinho que não dá mais nem uma canja.

De qualquer forma, caindo para a Série D ou permanecendo na C, o que me parece ser mais importante é que o Atlético passou esses dois últimos anos levando o nome do esporte acreano para todas as regiões do país. Subir degraus no futebol brasileiro é uma tarefa hercúlea para um time do Acre!

 


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