Colunistas
Bicho de véspera
por Francisco Dandão



Diz a sabedoria popular que Peru para ser bom tem que morrer de véspera. Se não morrer na véspera, por esse pensamento, estraga a festa. O bicho, de carne apreciada pelos mais diversos comensais, só pega o tempero apropriado se for abatido 24 horas antes. Só assim fica, digamos, comível!

A sabedoria popular, entretanto, não costuma se aplicar ao futebol. Esse Peru que aí está, eliminando gregos, troianos e chilenos, na Copa América, pode sim endurecer (com perdão do péssimo trocadilho) o jogo contra o Brasil na final da competição deste domingo (7), no Maracanã.

Na última vez que as duas seleções se encontraram, no dia 22 do mês passado, deu Brasil fácil: 5 a 0, com o goleiro dos peruanos fazendo lambanças a torto e a direito. Mas aquele momento já passou e, como diz o outro, não é praxe que a história se repita assim de forma tão reiterada.

Daquela pancada que os peruanos levaram na cabeça no jogo da fase de grupos desta Copa América, o mínimo que o técnico deles deve ter compreendido é que não pode enfrentar a seleção brasileira de peito aberto, indo pra cima. Isso se configura em suicídio, morte anunciada etc. e tal.

As seleções da Venezuela e do Paraguai, por exemplo, que cedo compreenderam a sua inferioridade técnica, enfrentaram o Brasil retrancadinhas, com a população dos respectivos países toda na frente das suas áreas. Não passava nem rato ensebado. E o Brasil não fez gols.

O Brasil, aliás, nas duas vezes que ganhou nessa Copa América (foram três vitórias, mas a Bolívia não conta), enfrentou seleções que se mandaram para o ataque. No caso, esse mesmo Peru, já citado alguns parágrafos atrás, e a Argentina. Perderam pela arrogância e pela total falta de respeito.

É claro que no histórico do confronto entre Brasil e Peru nós levamos ampla vantagem. Foram 44 jogos de 1937 até hoje. Desses, a seleção brasileira venceu 31 vezes, marcando 95 gols. Os peruanos venceram míseras quatro vezes, marcando 29 gols. Mas nada disso entra em campo.

O que deve entrar em campo é foco, vontade de vencer e seriedade. A defesa brasileira está zerada até aqui. É uma característica do Tite (assim como da maioria dos treinadores gaúchos) cuidar primeiro do sistema defensivo. A ideia é a de que ninguém perde se não tomar gol. Tem lógica!

Concluindo: o Brasil não vai ter a mesma facilidade que teve na partida anterior contra o Peru. Não vai ter mesmo. O Peru promete endurecer (ôpa!). Se isso acontecer, eu espero que pelo menos ele não perca a ternura. Já há muita violência nas ruas. Que endureça, mas que seja com ternura!

 


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