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Esporte: ferramenta de transformação ou show de horrores?
por Oarlem Sena



Olá amigos do Futebol do Norte, mais uma vez é uma honra estar em sua timeline para falarmos sobre marketing esportivo.

Hoje, vamos falar de fatos desagradáveis e ao mesmo tempo de grandes lições que o esporte, principalmente o futebol que o nosso carro-chefe tem nos proporcionado nos últimos dias. Mesmo após sediarmos os dois maiores eventos esportivos do planeta, nos anos de 14 (Copa do Mundo) e 16 (Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio de Janeiro), ainda estamos muito distantes do “globalizado mundo esportivo” quando falamos em gestão, organização, respeito ao torcedor que é o patrão dos eventos esportivos, ou seja, ainda há um longo caminho para percorrermos rumo à excelência, mas por outro lado vemos grandes exemplos de civilidade e de boas intenções acontecerem para contrastar com o verdadeiro caos e anti profissionalismo que foram a tônica de um dos maiores confrontos do futebol nacional, ocorrido no Rio de Janeiro, que continua lindo, mas um pouco envergonhado!

Infelizmente, o pensamento amador e egoístico de alguns “gestores” de grandes clubes do nosso futebol, proporcionaram um espetáculo horripilante no último domingo (17/02), é lamentável que esses senhores que são eleitos para promover soluções às agremiações esportivas, se engalfinhem tendo como testemunha milhões de expectadores por causa do lado em que suas torcidas ocuparão no estádio, mas será que eles perguntaram aos torcedores se eles só iriam ao jogo se estivessem acomodados do lado x ou y? Duvido! Provavelmente, não consultaram os seus departamentos de marketing para que através das ferramentas de comunicação o torcedor, a grande razão da existência do confronto se é mais importante estar naquele jogo histórico por se tratar de um clássico, de uma decisão, ou obrigatoriamente “cumprir” uma cláusula contratual que determinava que o Fluminense utilizasse o setor sul do Mário Filho (Maracanã), como se não bastasse esta trapalhada, 31 mil torcedores que já possuíam ingressos foram feitos de idiotas, pois foram até o local da parida, mas os portões não foram abertos em tempo hábil, e para completar muitos que só queriam sentir a adrenalina e a emoção da disputa, foram covardemente agredidos e somente aos 34 minutos do primeiro tempo que finalmente a entrada das torcidas foi liberada, após mais uma decisão de um juiz plantonista, e como no esporte, bem como na vida tudo é justiça, o clube mais solidário e que teve a melhor conduta sagrou-se campeão da Taça Guanabara, parabéns ao Vasco da Gama vencedor dentro e fora das quatro linhas. Meus amigos gestores da área de marketing, pensem sempre no espetáculo, na vibração da torcida, na condição de positividade para o bom transcorrer da partida, e que o show seja dado pelos atletas, pelas ativações com os seus patrocinadores, pelo posterior resultado, nunca pelos desmandos da gestão. Pensem no cliente, que saiu de casa em um dia de descanso, muita das vezes com a sua família para se divertir e são recebidos pela polícia, agindo de forma cruel e truculenta, por causa de dirigentes mal preparados que são infinitamente menores que a história e a grandeza dos clubes aos quais representam.

Por outro lado, vemos gotejar esperanças quando um clube resolve deixar uma mensagem de gratidão e esta não ficou apenas nas palavras, mas foi traduzida em gestos, pois os atletas e comissão técnica do Talleres-ARG, limparam o vestiário do Morumbi após a partia válida pela Taça Libertadores da América contra o São Paulo FC, no simpático bilhete dizia-se o seguinte: São Paulo, muito obrigado, compartilhamos o desafio de continuar a crescer. Isso demonstra que toda a rivalidade e as emoções provocadas pelo calor da disputa ficaram dentro do campo e jogo.

É de se destacar também a atitude capitaneada pelo brilhante gestor do futebol Baré Sérgio Rodrigues, ao qual saúdo com um forte abraço, o seu clube, o Penarol da cidade de Itacoatiara, esteve em Manaus para jogar contra o Fast Cub, e ao final do embate, todos faxinaram o vestiário utilizado e deixaram um bilhete onde dizia: obrigado pela organização, atitudes como estas, nos fazem nos fazem refletir sobre as nossas missões à frente da gestão esportiva, nosso compromisso com a evolução do mercado esportivo em nossa região, a todos vocês do Talleres e do nosso Penarol muito obrigado por nos fazerem dignos de presenciar estas atitudes, que nos enobrecem e nos engrandecem enquanto seres humanos.

 


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