Colunistas
O camelo e a agulha
por Francisco Dandão



Ainda não foi dessa vez, mas quase que os árabes faziam o camelo passar pelo buraco da agulha no jogo dessa sexta-feira (12) entre a Arábia Saudita e o Brasil. O jogo foi 2 a 0, como todo mundo sabe, mas o Brasil, no meu entender, não jogou necas de pitibiriba. Ganhou só na moral mesmo.

Pra falar a verdade, o camelo só não estraçalhou com o buraco da agulha porque o ataque dos caras do deserto não aprendeu a botar a bola nas redes dos adversários. Eles até que se defendem bem, até que conseguem ficar com a bola nos pés, sim, mas na hora de definir são um zero à esquerda.

Eu via os árabes chutando torto contra o gol do Brasil e ficava pensando que a arma deles ainda deve ser a espada. Como os artilheiros do futebol agora só usam armas de fogo, então ficaria explicado a falta de habilidade dos sauditas. O goleiro do Brasil não fez defesa nenhuma.

Aliás, se a ideia do técnico do Brasil, ao escalar o goleiro reserva Ederson, foi fazer um teste com ele, sinto muito dizer, mas vai ser preciso botar o dito cujo outra vez pra jogar. O cara não participou do jogo. Dizem até que ele aproveitou o tempo ocioso para fazer postagens nas redes sociais.

No caso da má pontaria dos atacantes árabes, se não foi a falta de costume no uso de armas de fogo, a única explicação possível está na vida no deserto. É que, pra quem vive nessas regiões, quando a sede aperta, costuma-se ver o que não existe. Eles chamam as “visagens” de “miragens”.

Então, os caras estariam vendo as traves do Brasil lá perto das bandeiras do escanteio. Controlavam a bola, viravam o jogo de um lado para o outro, tocavam daqui pra lá e de lá pra cá, mas os jogadores de meio-campo enfiavam as bolas todas numa espécie de diagonal. E tome chute pra fora.

A propósito, tem um fato que parece confirmar essa hipótese das tais miragens que costumam pregar peças nos transeuntes dos desertos. É que nos minutos seguintes às pausas para hidratação, a pontaria dos árabes melhorava muito. Aí depois, quando voltava a sede, voltavam as miragens.

Foi o quinto jogo entre as duas seleções e a quinta vitória brasileira. Nas três primeiras partidas o Brasil venceu com facilidade (4 a 1 em 1988, 3 a 0 em 1997 e 8 a 2 em 1999). As últimas, porém, contando com essa de sexta-feira, já foram bem enroladinhas (1 a 0 em 2002 e esse recente 2 a 0).

Nesse passo, minguando o placar a cada confronto, se os árabes resolverem o problema das miragens e aprenderem a atirar com armas de fogo, não demora e o camelo vai passar sim pelo buraco da agulha. Depois não digam que eu não avisei. O Brasil venceu, mas não me convenceu!

 
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