Colunistas
Dourado Assado
por Francisco Dandão



Sou uma espécie de zero à esquerda numa cozinha. Não dou conta nem de fritar um ovo ou ferver uma vasilha com leite. Nas poucas vezes que tentei, o ovo saiu queimado e o leite tingiu de branco a chapa negra do fogão. Por conta disso, a cozinha pra mim tem sido só um lugar de passagem.

Um dia desses, a propósito, já que eu não consigo cozinhar nada, resolvi dar uma de vegetariano. Pendurei um avental no pescoço e avisei para a galera de casa que iria preparar a salada verde da hora. Nem preciso dizer que foi outro desastre. Tudo saiu fora de medida, inclusive no sal.

A minha incompetência para preparar alimentos, porém, ainda não apagou a minha chama de um dia vir a aprender os segredos dessa arte tão gostosa. Tanto que de vez em quando fico navegando na internet para descobrir os melhores ingredientes e o modo de preparar determinado prato.

Agorinha mesmo, ando deveras empenhado em desvendar as artimanhas para o preparo de pescados, seja de água salgada ou doce. Inclusive porque, dizem os mais renomados teóricos da gastronomia, carne de peixe é muito mais saudável do que a de vaca. Dizem e eu acredito.

Dessa forma é que, pouco antes de deitar (eu escrevo numa rede, com o computador sobre o corpo) para cometer este texto, levei uns quanto minutos decorando os ingredientes para preparar um dos peixes mais saborosos da culinária brasileira. Justamente o peixe chamado “dourado”.

Os ingredientes dessa iguaria (também conhecida como “doirado”, “piraju”, “pirajuba” e “saijé”) são simples: 1 maço de coentro, batatinhas douradas, azeitonas pretas, 1 maço de salsa, 3 tomates, cebola e limão a gosto. Como se pode ver, nada complicado. Ao contrário, simples assim.

Quanto ao modo de preparar, são quatro passos: 1 – Limpar o peixe e deixa-lo inteiro; 2 – Fazer um molho com bastante limão e mergulhar o peixe no dito cujo; 3 – Deixá-lo mergulhado por cerca de duas horas; 4 – Colocar o peixe numa assadeira untada de óleo. Depois é só servir e comer. Fácil!

Coincidentemente (ou não, quem haverá de saber?), talvez por uma dessas conspirações astrais que regem o alinhamento dos planetas, o peixe “dourado” é exatamente o símbolo do time do Cuiabá, que decide uma vaga à série B do Brasileirão com o Atlético Acreano nesta segunda-feira (27).

Então, meus caros, já que a minha pesquisa me deixou em mãos os resultados descritos nos parágrafos anteriores, não custa nada a turma do Atlético anotar tudo nos seus caderninhos de estratégias. Já não se poderá dizer que ninguém sabia como assar um dourado. O serviço está dado!

 
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