Colunistas
Pé de Ferro
por Francisco Dandão



O zagueirão Pé de Ferro, meu conterrâneo de Brasiléia, bem ali na fronteira do Brasil com a Bolívia, está vivendo os seus últimos dias como profissional do futebol. Encerrada a participação do Atlético Acreano na Série C, ele vai pendurar as chuteiras, segundo me confidenciou outro dia.

Aos 33 anos (ele nasceu no dia 8 de janeiro de 1985), Pé de Ferro poderia, se quisesse, jogar pelo menos mais umas três temporadas. Mas ele me garantiu que a rotina de jogador profissional já o cansou. Além disso, segundo ele, um atleta deve abandonar a bola antes que ela o abandone.

A trajetória do Pé de Ferro (batizado Romildo Almeida da Silva) no futebol é bem peculiar. Ele começou no mundo da bola, ainda adolescente, como goleiro do time da Fazenda Santa Lúcia, na segunda divisão do campeonato amador da sua cidade natal. Isso ali pelo ano de 2002.

Ele possuía, porém, muita habilidade com a bola nos pés. E assim, um ano depois de estrear no futebol de campo como goleiro, ele migrou para o futsal, para atuar como fixo, no time da Ponte Preta, também de Brasiléia. Ficou nessa condição até 2005, jogando campeonatos municipais e estaduais.

Depois disso, Pé de Ferro voltou ao futebol de campo, mas agora como zagueiro central, disputando campeonatos municipais e departamentais pelos times bolivianos do Moto Clube e do Vaca Diez. Nesse último, já como profissional, ele disputou até a segunda divisão nacional do país andino.

Aí então, no decorrer do ano de 2010, chegou a vez do Acre descobrir o futebol do “xerife” Pé de Ferro. Primeiro, jogando pelo Alto Acre. Em seguida, vestindo as camisas do Independência (2012), Rio Branco (2013), Plácido de Castro (2014), Amax (2014/2015) e Atlético (2016, 2017 e 2018).

Nessa temporada de 2018, Pé de Ferro tem sido uma espécie de reserva de luxo no Galo. Os titulares da zaga atleticana são João Marcos e Diego. Mas quando ele é chamado para suprir alguma ausência, o faz com a categoria e a seriedade de sempre. Quando a bola passa, o adversário fica!

Eu fui testemunha de uma dessas exibições de gala do Pé de Ferro, no começo deste mês de agosto, em Natal, contra o ABC. Apesar de se confessar um tanto sem ritmo de jogo, o zagueirão de Brasiléia foi soberbo, contribuindo decisivamente para a vitória dos acreanos por 1 a 0.

É isso. O Pé de Ferro está parando com a bola. Mas, certamente, vai entrar para uma galeria seleta de craques do futebol nascidos na fronteira. Gente do porte de, entre outros, Aldemir Lopes, Anjo, Bento Zero Hora, Bruno Couro Velho, Lelê, Bebé, Rui Macaco, Viana, Alcione e Illimani.

 
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