Colunistas
Figurinhas
por Francisco Dandão



Sempre que se aproxima a disputa de uma Copa do Mundo aparecem os álbuns de figurinhas, com as carinhas dos personagens envolvidos na disputa vendidas em saquinhos, movimentando colecionadores de todas as idades. Essa é uma prática antiga que continua nos dias que correm.

Eu adorava colecionar figurinhas na minha época de menino e adolescente. Mas, a bem da verdade, jamais cheguei a completar um álbum de cabo a rabo. Eu investia todos os meus pouquíssimos trocados na busca de figurinhas que enchessem os meus álbuns, mas jamais os via cheios.

Nem a prática de trocar as figurinhas repetidas com outros colecionadores, antes das sessões de matinê dos cines Rio Branco, Acre e Recreio (eu frequentava todos), aos sábados e domingos, dava conta de me fazer encontrar os números que teimavam em escapar das minhas mãos.

Essa prática de trocar figurinhas, aliás, já sinalizava para os meninos que exibiam dotes de futuros comerciantes ou políticos. É que essas tais criaturas quase nunca se dispunham a trocar uma unidade por outra. Era sempre uma figurinha deles por duas ou mais dos “clientes”. Sempre!

Se existia algum menino que preenchia o álbum inteiro? Sim, existia. Não eram muitos, mas existia sim. Havia, inclusive, quem tivesse quatro ou cinco álbuns. Esses sujeitos se dedicavam a encher um dos álbuns e usavam as figurinhas que sobravam para ir preenchendo os álbuns “reservas”.

Sobre as figurinhas raras, essas eram invariavelmente as dos jogadores mais famosos, os grandes ídolos. “Coincidentemente” os “cracaços” eram justamente aqueles mais difíceis de se encontrar dentro dos saquinhos lacrados com os três cromos. Uma boa estratégia para as vendas!

Encontrar dentro de um saquinho a figurinha desses super craques se transformava numa verdadeira caça ao tesouro. A figurinha rara dava ao seu dono uma aura de superioridade, orgulho. E esse dono, via de regra, não parava de exibir o troféu, muitas vezes recusando uma grana alta por ele.

Exibir o troféu, ressalte-se, implicava em algum risco. É que o dono não podia descuidar um instante do seu objeto de culto. Um descuido, podia ser fatal. O álbum poderia mudar de mãos e nunca mais ser encontrado.  O dono podia exibir o seu troféu, mas jamais tirar os olhos dele em público.

É isso. Os álbuns de figurinhas continuam fazendo a festa de muita gente em época de Copa do Mundo. Eu não os coleciono mais. Eu não saberia onde trocar as figurinhas repetidas. Mas sei de gente da minha idade que continua abrindo saquinhos com a mesma alegria juvenil de outrora!

 
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