Colunistas
Tensão e tranquilidade
por Francisco Dandão



Os representantes do futebol acreano no campeonato brasileiro da série D vivem momentos distintos neste final de semana. Enquanto o Rio Branco, já classificado, se exibe em Roraima, contra o São Raimundo, só para cumprir a tabela, o Atlético joga a vida, no Acre, contra o Trem-AP.

Se o futebol fosse um esporte regido pela mais absoluta lógica cartesiana, dava pra dizer que o Atlético, Galo para os íntimos, não teria dificuldades para superar o amapaense Trem e, dessa forma, seguir adiante, rumo às fases subsequentes da competição, aquelas do matar ou morrer.

Afinal de contas, o Atlético vai jogar em casa, com o apoio da sua apaixonada torcida. Levando em conta o dito popular de que os galos costumam cantar mais alto em seu terreiro, então, nesse caso, bastaria seguir o fluxo natural do tempo para que o time pudesse aspergir felicidade.

Não bastasse isso, esse mesmo Atlético soube impor seu ritmo quando jogou em Macapá, contra esse mesmo Trem, lá na primeira rodada da competição. O time do segundo distrito de Rio Branco foi à terra do manganês e não deixou o Trem sair da estação. Três a dois com méritos!

Não bastasse isso, ainda, o Atlético tem um dos ataques mais eficientes da série D deste ano. Jogando quase sempre de forma vertical, o time do professor Álvaro Miguéis costuma deixar a sua marca nas redes adversárias, fruto da técnica e respectivo desempenho dos seus atacantes.

Acontece que o futebol não é um esporte regido pela absoluta lógica cartesiana. E, assim, tudo o que eu disse nos parágrafos anteriores deixará de existir quando o árbitro trilar seu apito para iniciar o jogo. Os desígnios da deusa bola são insondáveis e em cada lance se constrói um destino!

Prova maior, ainda bem presente na memória coletiva, foi esse mesmo campeonato, na sua edição passada, quando o Atlético fez uma das melhores campanhas da competição, mas deixou de subir para a série C ao ser derrotado na última e decisiva partida, em casa, pelo Moto Clube-MA.

Então, embora eu acredite e tenha fé (acreditar e ter fé tem cargas semânticas diversas, viu?) de que o Atlético vá se classificar, sei que isso só será possível pela total doação dos atletas no campo de jogo. Eu diria que, embora ainda seja a fase de grupos, esse é o primeiro “mata” do Galo.

Enfim, a tranquilidade do Rio Branco, em Boa Vista, contrasta com a tensão do Atlético, na capital acreana. E a bola, que tem tudo a ver com isso, segue na sua luta contra a lógica e em favor da poesia em forma de metáfora. A bola faz rir e chorar. A bola torna bem maior o sentido da vida!

 
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